Por André Nunes – Pela primeira vez nesta campanha, a cinco dias do primeiro turno das eleições, os três principais candidatos ao governo do Paraná participaram juntos de um debate na noite desta terça-feira (29). Sergio Moro (PL), Sandro Alex (PSD) e Requião Filho (PDT) compareceram ao último confronto antes do dia 4 de outubro, na RPC TV, afiliada da TV Globo.
A imprensa credenciada acompanhou desde às 19h a chegada das equipes, apoiadores e dos próprios candidatos à emissora, nas Mercês. Desde a tarde, a movimentação da equipe de Sandro Alex já marcava presença, com carros de som, muitas bandeiras e jingles à todo volume. Por volta das 19h30, o time com bandeiras de Sergio Moro também deu as caras, cada um de um lado da calçada de acesso à RPC, na Rua Ten. João Gomes da Silva, entre a quadra das ruas Mamoré e Solimões.

O primeiro candidato a chegar foi Requião Filho, acompanhado dos pais, o ex-governador Roberto Requião e a jornalista Maristela, além de assessores. Prontamente, fez a primeira coletiva, dizendo estar surpreso com a presença de seus oponentes pela primeira vez em um debate, e que esperava um confronto propositivo sobre o Paraná.
Por sua vez, Sergio Moro chegou com a esposa Rosangela e assessores, enquanto Requião Filho ainda dava entrevistas. Passou próximo e foi até sua “baia” na redação da emissora, onde também concedeu coletiva na sequência. Ao ser questionado sobre sua expectativa para o debate, seu primeiro neste 1º turno, Moro admitiu que os embates anteriores foram “prematuros” e que ele ainda não tinha um plano de governo para apresentar.

Sandro Alex foi o último candidato a chegar, ao lado da esposa Patrícia e do governador Ratinho Junior. A coletiva foi feita com ambos, com perguntas sobre a elevação no tom da campanha em relação a Moro, que vem compartilhando posts e conteúdos antigos, da época em que o governador o apoiava. O governador enfatizou que apoiava o juiz, mas que mudou de ideia quando viu suas atitudes como político que “não acaba o que começa” como juiz, ministro e senador.

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Nos momentos seguintes às coletivas, os candidatos ficaram em suas “baias”, uma ao lado da outra, enquanto os presentes circulavam, gravavam conteúdos e lanchavam um lauto coffee servido pela emissora. Um dos momentos curiosos de bastidores foi quando Sandro Alex e Sergio Moro foram, quase que ao mesmo tempo, ao banheiro. Do lado de fora, alguns assessores e jornalistas repararam, especulando o que aconteceria lá dentro. O momento, porém, durou poucos minutos.

Quando teve início a exibição do capítulo da novela Quem ama cuida, os candidatos e dois assessores cada se dirigiram ao estúdio. Pouco depois, fotógrafos e jornalistas foram convidados a acompanhar a preparação do debate, que teria início às 22h15, mediado pela jornalista Helen Anacleto, apresentadora do Boa Noite Paraná.

Na hora da foto posada, antes do debate começar, um assessor soltou a frase que se tornou pérola da campanha: “unidos e em paz“, seguida de risos nervosos de alguns dos presentes. O clima, porém, era o oposto disso: tensão e contagem de tempo até o embate começar, com os candidatos andando, conhecendo o cenário e sentando em suas cadeiras.
O debate foi marcado por confrontos diretos e temas livres, dividido em quatro blocos. Todos tiveram que perguntar e responder entre si, num formato que favoreceu as falas de cada um: quando um parava de falar, começava a correr o tempo do outro, e vice versa.
Uma das recorrentes acusações apontadas por Moro, segundo destaque do Plural, foi a de que o governo Ratinho Junior teria dado prioridade a uma estrada municipal que favoreceria o ministro Dias Toffoli por providenciar acesso ao Tayayá – resort que ele teria vendido ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Sandro Alex, secretário de Infraestrutura, negou e afirmou que “burocratas como Moro” tentaram impedir obras como a da Ponte de Guaratuba.

Requião e Sandro Alex também discutiram empresas públicas: conforme relato do Plural, Requião acusou o governo de ter prejudicado os paranaenses ao vender a Copel, o que resultou em um serviço pior e em tarifa mais cara. Sandro respondeu dizendo que o adversário pretende quebrar contratos e repetir o “inchaço” das estatais do governo de seu pai – dizendo que 26 familiares de Requião atuavam na Copel.
Curiosamente, mas não de se estranhar, o alvo acabou sendo Sandro Alex e o governo Ratinho Junior: tanto Sergio Moro quanto Requião Filho dirigiram a maior parte de seus pedardos para a atual administração. Rolou até um improvável “bate bola” entre eles, em determinados momentos, para que pudessem apresentar suas propostas e criticar o governo.
Afinal, Moro deseja liquidar a fatura no primeiro turno, atraindo eleitores do campo do PSD; já Requião busca avançar e conquistar uma vaga no segundo turno, ao lado de Moro. A depender das últimas pesquisas, o resultado poderá ser emocionante.
