
Quando o presidente da República, Michel Temer, diz que “não houve má intenção” ao blindar Moreira Franco com o foro privilegiado, vem logo aquele provérbio à cabeça: “De boas intenções o inferno está cheio”. A Advocacia Geral da União consumiu 50 páginas para explicar ao ministro Celso de Melo, relator das ações no Supremo Tribunal Federal, o que parece óbvio. O de que houve tentativa por parte do governo de obstruir ou causar embaraços à Operação Lava Jato.
DE BOAS INTENÇÕES (2)
Temer é pródigo em nomear encrencados. Desde que assumiu a presidência, em meados do ano passado, vem teimando em escolher assessores metidos em denúncias. Alguns deles acusados de enormes falcatruas.
Poderia evitar tudo isso com uma simples consulta aos órgãos competentes. Se não o faz é porque não quer. Prefere arriscar ou ver no que vai dar. Demonstra, assim, sua boa vontade com os aliados mas não com a administração pública. Casos eles se enredem em atos não-republicanos, ele sempre poderá dizer que tentou.
DE BOAS INTENÇÕES (3)
A indicação de Alexandre de Moraes para o STF é outra investida polêmica de Temer. Leva a crer que está em curso uma “operação abafa”. Por mais credenciais que Moraes tenha, ele era ontem ministro da Justiça e anteontem secretário de Segurança Pública no governo paulista, a suspeição é evidente. Mas Temer parece não se importar com isso. Até segunda ordem, sua frase preferida é aquela de Sartre: “O inferno são os outros”.
