quarta-feira, 6 maio, 2026
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Da República de Curitiba, Cunha manda notícias

Alvaro Dias, Michel Temer, Eduardo Cunha e Fernando Henrique Cardoso
Alvaro Dias, Michel Temer, Eduardo Cunha e Fernando Henrique Cardoso

Legal ou ilegal – e agora dizem que, na pedra da lei, é ilegal – o grampo armado contra Michel Temer explodiu o país. Já se sabe que há personagens do Paraná envolvidos no escândalo que pode resultar na segunda vacância do cargo de presidente em menos de um ano. Um deles é da gema, o deputado federal Rodrigo da Rocha Loures (PMDB), empresário, herdeiro da Nutrimental, assessor de confiança do presidente da República e, last but not least, homem da mala preta da corrupção. O outro é um residente ilustre que já se nomeará.

MENINO DE RECADOS ILUSTRE

Rocha Loures nunca foi um campeão de votos. Muito pelo contrário. Em três disputas à Câmara só levou uma. Nas lacunas legislativas, no entanto, caiu nas graças de Temer.

Não era uma eminência parda, que é como se define aquele que manda nas sombras. Nunca foi. Mas era certamente um “mandalete” de recados ilustre. Em 2010, recebeu a benção de Temer para disputar o cargo de vice-governador na chapa de Osmar Dias. Não foi uma de suas melhores empreitadas.

DE NOVA YORK

O peemedebista, já se sabe, desembarcou na sexta-feira em Curitiba, vindo de Nova York, mas não será preso. Fica afastado da Câmara dos Deputados por tempo indeterminado, o que não significa que não poderá continuar despachando no terceiro andar do Palácio do Planalto, em Brasília.

FILHO DA REPÚBLICA

O outro personagem pertence a uma bandeira recém-desfraldada. É um filho da República de Curitiba, aqui morador não por livre vontade, mas por vontade imposta. Trata-se do deputado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Homem que, como se vê agora, parece ainda comandar de dentro da cadeia o naco do país que considera sua propriedade. Tem aliados em altas esferas, é interlocutor de empresários campeões nacionais e guarda segredos capazes de abalar os alicerces dessa República tão fragilizada.

CONFISSÕES

Fontes da cadeia onde Cunha se abriga, em Pinhais, garantem que ele tem recebido algum tipo de “assistência espiritual” de um ministro da Assembleia de Deus, denominação a que se filiou ano passado. Isso depois de desligar-se da Igreja Sara Nossa Terra, do bispo Rodovalho, ex-deputado federal. A AD tem enorme capilaridade e Cunha, que pode ser tudo, menos burro, sentiu no aprisco da Assembleia de Deus o cheiro de votos a ‘mancheias’ (como se diria outrora).

MANDA E DESMANDA

Eduardo Cunha está para o governo federal assim como Marcola está para o crime organizado: manda e desmanda. E manda tanto que os que a ele devem não podem se furtar a pagar, sob o risco de verem suas vidas e contas bancárias devassadas.

FEITO INVEJÁVEL

Se Eduardo Cunha derrubar Michel Temer, porque é o que se desenha, terá derrubado no prazo de um ano e meio dois presidentes da República. É uma façanha invejável. Agora mesmo, Marcola deve estar morrendo de raiva.

ALVARO DIAS PRESIDENTE?

Discreto em suas intenções, o senador Alvaro Dias (PV) pode estar preparando terreno para construir sua pré-candidatura à presidência da República. As razões são óbvias: Michel Temer balança no cargo e pode renunciar, caso a delação premiada da JBS ganhe contornos irreversíveis.

Alvaro finca suas pretensões no que dispõe a Constituição Federal em seu artigo 81. Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos da presidência serão convocadas eleições indiretas em 30 dias. É uma repetição melancólica do colégio eleitoral, mas é o que se oferece diante da instabilidade institucional e econômica do país.

NOME FORTE

Alvaro é um nome forte respeitado pelos congressistas e com bagagem administrativa que lhe permite costurar apoios e dar prosseguimento às reformas necessárias.

FHC

Há um outro candidato: Fernando Henrique Cardoso. Mas ele não se vê de novo ocupando um cargo público, mesmo na condição de governar pelo curto período de um ano e meio. Afora Alvaro, surgem outros, mas todos irrealísticos para um país que já se quer surreal. Caso de Gilmar Mendes, caso da presidente do STF, Carmen Lúcia, caso do ex-ministro Nelson Jobim, hoje conselheiro do BTG-Pactual, o banco de André Esteves, também implicado nas operações da Polícia Federal, hoje abrigadas sob o nome genérico de Lava-Jato.

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