domingo, 19 abril, 2026
HomeMemorialCuritiba "está no Seproc", adverte Bernardi, candidato da Rede a prefeito

Curitiba “está no Seproc”, adverte Bernardi, candidato da Rede a prefeito

Jorge Bernardi
Jorge Bernardi

Não só os dois mais notórios candidatos a prefeito de Curitiba – Gustavo Fruet, à reeleição, e Rafael Greca – estão expondo suas propostas de campanha, embora ainda de forma “soft”. Há outros candidatos a candidatos, de partidos pequenos, que já se expõem e dizem porque querem ir para o Palácio 29 de Março. É o caso de Maria Victoria (PMB), com apoio do PP de seus pais, Ricardo Barros e Cida Borghetti; e do vereador Jorge Bernardi, ex-presidente da Câmara Municipal de Curitiba, hoje um nome de proa na REDE, o partido de Marina Silva.

Bernardi, conhecido por ser um ficha absolutamente limpa e bem preparado homem público – com fortes conhecimentos em Orçamento e Planejamento Urbano – foi entrevistado ontem pela coluna. Seu diagnóstico sobre a atual situação fiscal da Prefeitura é ‘aterrorizante’.

Segundo ele, a Prefeitura deverá até o final do ano perto de R$ 1 bilhão. E só tem recursos para pagar o funcionalismo até 31 de dezembro, e não consegue saldar outros compromissos essenciais.

E não haveria, disse Bernardi, a mínima perspectiva de que as coisas estariam a caminho de melhorar. A cidade não consegue hoje, por exemplo, certidão do Tribunal de Contas do Estado, garantiu o vereador.

Leia:

NO “SEPROC”

P – Enumere os grandes desafios da Prefeitura de Curitiba hoje…

Bosque do Alemão
Bosque do Alemão

R – Além dos problemas que afetam a população diretamente que é a gestão da saúde pública, segurança, a mobilidade urbana, que devem ser sempre prioridade da administração municipal, há um outro grave problema que não está sendo debatido, que é a situação financeira da Prefeitura.

O município encerrou 2015 com uma dívida flutuante, ou seja, de curto prazo, de 750 milhões de reais. Ou seja, se continuar assim, no final de 2016, o município deverá para fornecedores, empresas que prestam serviços a Prefeitura, mais de R$ 1 bilhão. Curitiba, desde dezembro de 2014 não possui a Certidão Liberatória do Tribunal de Contas, significa que não pode receber transferências voluntárias do Estado e da União, ou seja, as emendas parlamentares, os convênios o município não pode receber já que está, por assim dizer, no “Seproc” dos municípios.

CANDIDATURA

Bosque do Papa (João Paulo II)
Bosque do Papa (João Paulo II)

P – A Rede Sustentabilidade terá candidatura própria a prefeito de Curitiba?

R – Sim, a Rede lançará candidato próprio. Estamos construindo uma candidatura, ouvindo vários segmentos da sociedade e no tempo certo o partido apresentará o nome a sociedade curitibana.

P – Bernardi, você é pré-candidato a Prefeito de Curitiba pela Rede?

R – Sim, sou pré-candidato e já estou fazendo a pré-campanha. Também há outro pré-candidato, o Eduardo Reiner, que é auditor fiscal do Ministério do Trabalho. Estamos trabalhando para que haja um consenso progressivo.

AS FINANÇAS

Parque Barigui, o mais tradicional de Curitiba
Parque Barigui, o mais tradicional de Curitiba

P – Quais os grandes problemas que você identifica ainda na cidade de Curitiba?

R – Além dos problemas que afetam a população diretamente, como os da gestão da saúde pública, segurança, a mobilidade urbana, que devem ser sempre prioridade da administração municipal, há um outro grave problema que não está sendo debatido. É o da situação financeira da Prefeitura. O município encerrou 2015 com uma dívida flutuante, ou seja, de curto prazo, de 750 milhões de reais. Se continuar assim, no final de 2016, o município deverá para fornecedores, empresas que prestam serviços a Prefeitura, mais de R$ 1 bilhão.

Curitiba, desde dezembro de 2014 não possui a Certidão Liberatória do Tribunal de Contas, significa que não pode receber transferências voluntárias do Estado e da União, ou seja, as emendas parlamentares, os convênios, o município não pode receber já que está, por assim dizer, no “Seproc” dos municípios.

SOLUÇÕES DA REDE

P – Quais seriam as prioridades da Rede para uma administração de Curitiba?

R – Já começamos a discutir e a elaborar um plano de governo.

Evidentemente que este plano deverá ser discutido também com a sociedade.

A Rede defende a sustentabilidade como base de todas as ações municipais, não apenas na questão ambiental, mas econômica, social, educacional.

“Curitiba, desde dezembro de 2014 não possui a Certidão Liberatória do Tribunal de Contas, significa que não pode receber transferências voluntárias do Estado e da União, ou seja, as emendas parlamentares, os convênios o município não os pode receber já que está, por assim dizer, no “Seproc” dos municípios.”

Dentro desta ótica, propomos medidas no sentido de diminuir e até eliminar o déficit fiscal.

Ou seja, vamos economizar para pagar as divididas da Prefeitura, vamos auditar todos os contratos de prestação de serviço para tirar as gorduras, os excessos, aquilo que prejudica as finanças públicas. Com isto cremos que poderemos economizar de 500 a 1 bilhão de reais no período de uma gestão. Com isto poderemos implementar nossas políticas públicas nas áreas prioritárias.

P – Vocês devem ter bem definidas as áreas prioritárias para uma gestão da Rede Sustentabilidade para Curitiba?

R – No meu entendimento, e já disse isto em outra entrevista a você, Aroldo, o Prefeito deve agir como um síndico zeloso, atuando em todas as áreas, mas com prioridade em áreas específicas.

Assim, acho que Curitiba deve ser uma cidade saudável. A saúde pública deve ser prioridade atendendo a todos, da gestação a velhice. Neste sentido devemos envolver o saneamento ambiental, habitação, o trânsito urbano, os modais de mobilidade, a recuperação de áreas degradadas, espaços de lazer e os hábitos alimentares e esportivos. Também devemos utilizar as terapias integrativas, complementares, como a massoterapia, fitoterapias, acupuntura e outras terapias alternativas.

P – E a questão da segurança, ela não é também do Município?

R – Também a cidade deve ser protegida, dando ênfase a segurança solidária.

A estrutura de segurança, pública e privada devem trabalhar em conjuntos, com a participação de toda a comunidade. Cidade Cultural, em que as manifestações culturais serão valorizadas, propondo ênfase a economia criativa e solidária, em áreas como artesanato, gastronomia, moda, literatura, fotografia, música, design, publicidade artes cênicas e outras.

CIDADE INTELIGENTE

Tribunal de Contas do Estado
Tribunal de Contas do Estado

P – O quê destacar mais nesse rol de seus enunciados…

R – A Cidade Policêntrica, compacta. Cada bairro deve ter seu centro de serviços públicos, de comércio e de lazer. Os deslocamentos devem ser realizados a pé, evitando o uso de outras formas de mobilidade, principalmente as poluidoras. Defendo o Trabalho, a educação, equipamentos e saúde e de lazer a todos, próximos dos locais de moradia.

P – Como vocês, da REDE, definem uma ‘cidade inteligente’, uma das palavras de ordem hoje no mundo digital?

R – Uma Cidade Inteligente é a que valoriza a educação em todos os níveis, do ensino fundamental ao superior. Na educação para produzir uma economia cada vez mais voltada ao saber, a produção de novos bens, com menor poluição e mais voltada a criatividade.

P – E o mundo das manifestações culturais?

R – Daremos ênfase à Cidade Cultural, com a valorização das manifestações culturais agindo na economia criativa e solidária artesanato, gastronomia, moda, literatura, fotografia, música, design, publicidade artes cênicas e outras.

Leia Também

Leia Também