terça-feira, 24 fevereiro, 2026
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Cristina, ainda educadora, depois de 60 anos de luta

Irmã Luiza Maria (Sion-Rio de Janeiro) e Soeur Cristina
Irmã Luiza Maria (Sion-Rio de Janeiro) e Soeur Cristina

O Colégio Sion foi fundado há 110 anos em Curitiba. É parte da história da cidade, tendo se caracterizado por ensino de qualidade, sob a orientação das irmãs de Sion.

Como aconteceu em todas as outras unidades do Sion no país, o colégio de Curitiba caracterizou-se até o começo dos 1960s pela formação de moças da chamada elite local. Depois, sob o influxo das mudanças do Vaticano II, abriu portas para alunos homens e democratizou suas salas de aula. Os resultados são, é certo, uma grande contribuição educacional, que continua. E sob a direção de ‘soeur’ Cristina, a quem abordamos a seguir. A contribuição à coluna é do ex-professor do Sion, Antonio Carlos da Costa Coelho:

EDUCADORA HÁ 60 ANOS

Irmã Maria Cristina, religiosa católica da Congregação de Nossa Senhora de Sion, completou, no último dia 12, sessenta anos de vida religiosa.

Soeur Cristina, como é conhecida desde o tempo em que a língua de Baudelaire concorria com a língua portuguesa nas escolas católicas de origem francesa, é uma das mais expressivas educadoras que Curitiba conheceu. Apesar de carregar um título “a francesa”, Soeur não perdeu ou jeito mineiro que traz das suas origens da cidade de Carangola. Gosta de contar seus causos e dar boas risadas. Não despreza os bolos e doces das Gerais.

Irmã Cristina é, sem a menor dúvida, a maior e a mais respeitada educadora viva do Paraná. Quem a conhece sabe disso. Ela não se engana. Conhece aluno por aluno, mesmo com seus anos já na casa dos oitenta. Palavra firme, diagnóstico correto. Sua precisão já desagradou muitas mamães dessa Curitiba. Fez do tradicional Colégio Sion uma referência em educação.

Referência de uma educação sólida que quem já passou por lá comprova.

Religiosa de fé profunda e reflete essa experiência na vida e na atenção com aqueles que necessitam e, também, na orientação dos professores e dos jovens. Por décadas Irmã Cristina investiu na educação religiosa de seus professores, alunos, colaboradores e amigos. Para esses ofereceu cursos e momentos de encontros com teólogos e filósofos de primeiro nível.

Irmã Cristina comemorou seus 60 anos de vida religiosa com uma cerimônia simples na manhã do último sábado. Na missa celebrada por Padre Joaquim, com a presença do amigo Padre Dionísio Scheibel, de amigos próximos e religiosas de outras casas de Sion puderam abraçá-la e desejar saúde, felicidades e, é claro, as bênçãos de Deus.

DEPOIMENTOS

“Conheci Soeur Cristina em 1979, quando comecei a lecionar no Colégio Sion.

Já tinha ouvido muito falar dela. Mulher de gênio difícil, para uns, para outros uma pessoa sensível, bondosa e de formação religiosa tão profunda como é a sua capacidade educadora. Ela é dos tempos de formação religiosa sólida que envolvia, igualmente, uma formação intelectual da melhor qualidade.

Convivi de perto com Soeur Cristina. Devo a ela muito do meu conhecimento.

Devo a ela uma experiência de vida na educação e na arte de ensinar. Foi uma professora durona. Mas, mais do que isso, a ela devo um carinho e uma atenção que de poucos, muito poucos, recebi. Sua generosidade e gratuidade são as qualidades que mais a caracterizam. Certamente, são coisas que aprendeu na sua vida de oração e dedicação a Deus”.

Antonio Carlos C. Coelho, 20 anos professor no Colégio Sion.

DESDE OS 6 ANOS

“Fui aluna de irmã Maria Cristina, conhecida como Soeur Cristina, desde meus 6 anos, quando entrei no Colégio Sion. Neste tempo ela ainda estava na faculdade e se dedicava a implantar o método Montessori no colégio.

Quando voltava da faculdade preparava o material que usaríamos no dia seguinte.

Considero Soeur Cristina como uma segunda mãe. Um exemplo a ser seguido como pessoa e educadora.

Quando anos mais tarde voltei ao colégio, agora como professora, encontrei o mesmo carinho, apoio e dedicação. Além de ser presente aos alunos, ela sempre teve um cuidado e uma atenção especial aos professores e coordenadores, zelando principalmente por nosso desenvolvimento espiritual.

Falar de Irmã Cristina é fácil e encheria muitas páginas… talvez o mais importante seja que a sua presença, dedicação e sabedoria elevou a educação em Curitiba”.

Maria da Graça Puppi Silva, ex-aluna e coordenadora do Colégio Sion.

COM CRIANÇA DE RUA

“Ela fez muita coisa para a congregação, inclusive esse colégio (Sion Solitude), que ela fez aqui em Curitiba. Ela começou aqui pegando as crianças na rua para ensinar a ler e cuidar delas. Depois, fez uma escolinha. Começamos em uma taperinha e depois disso, ela incentivou a prefeitura a ajudar um pouco, aumentou a escolinha e hoje é este grande colégio, o Sion Solitude. Tudo passa por ela. Pelo tanto que eu gosto dela, quero que o trabalho que ela fez jamais acabe. Ela fez muita coisa linda”.

Irmã Ana Cristina, morou por anos com a Irmã Cristina, incluindo o período de implantação do método Montessori-Lubienska.

ACOLHE A TODOS

“O que mais me impressiona nela é a dedicação. Ela se esforça muito, se doa pessoalmente para acolher a todos. O importante dela é a presença no colégio, sempre com muito carinho, cuidado, muita disciplina, respeito e matéria religiosa. É esse dia a dia de compromisso, respeito, fé e esperança. Tudo o que ela construiu em matéria de educação e de conduta também o fez materialmente. De salas de aulas a um colégio inteiro, não houve um ano em que não houve ao menos uma construção. No Solitude, por exemplo, foi ela quem construiu tudo, influenciando até mesmo o nome do bairro”.

Marisa Cordeiro, amiga que trabalhou com ela por 30 anos no Colégio.

MÉTODO MONTESSORI

“Estudei sempre no Sion e convivi durante toda a minha vida com a Soeur Cristina. Uma vivência marcante com ela foi o preparo da minha primeira Eucaristia. Éramos somente quatro alunos, e de uma forma simples, mas com muita espiritualidade, ela conversava e nos preparava para receber a 1ª Comunhão. Foi inesquecível. Lembro também quando eu estava no Magistério das reuniões na sua sala, em que sentávamos no chão e ela contava com muita propriedade a respeito do método Montessori, o qual sou apaixonada até hoje. Entendo que a Soeur Cristina sempre foi, é e será uma educadora além do seu tempo. Só tenho a agradecer por fazer parte desta história”.

Lia Beatriz Munhoz da Rocha, coordenadora do Ensino Fundamental I

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