Trata-se de uma crônica anunciada. O governo federal sabia que os presídios haviam se transformado em uma panela de pressão pronta a explodir, mas deu as costas ao problema. Quando as guerras de facções e as chacinas irromperam no início do ano, o presidente da República, Michel Temer, veio a público, após um silêncio de quatro dias, e classificou as mais de 80 mortes em Manaus e Boa Vista de um “acidente pavoroso”.
AVISO PRÉVIO
O quadro agravou-se. Chegou a Natal, no Rio Grande do Norte, e agora ao Paraná, onde o domínio do PCC nas penitenciárias é conhecido, apesar da negativa oficial. As autoridades de segurança confirmam 2 mortos e 26 foragidos, mas há muito mais: o governo do Paraná já havia pedido há dez meses que presos do PCC de alta periculosidade fossem transferidos para prisões federais. Nada se fez.
SEGURANÇA NACIONAL
Em entrevista à revista ‘Veja’, o chefe da inteligência do governo, general Sérgio Etchegoyen, disse que a crise já é tratada como questão de segurança nacional, mas argumenta que a responsabilidade deve ser dividida com toda a sociedade. “Quem consome droga? É o Estado, é o governo?” Seria cômico, não fosse trágico.
ESPETÁCULO MELANCÓLICO
Enquanto o chefe da inteligência de Temer reclama por uma ‘repartição social’ da matança de contornos horrorosos nas cadeias, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que já se revelou um falastrão, foi a público e, mesmo diante de fatos inquestionáveis, negou a guerra de facções em Manaus, e revelou depois que havia julgado desnecessário o envio da Força Nacional para Roraima, onde a chacina resultaria em mais de 30 mortes. Foi obrigado a voltar atrás. Melancolicamente.
