terça-feira, 5 maio, 2026
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Contra lei federal, Assembleia quer devolver cerveja aos estádios

Há uma máxima do ex-vereador Paulo Salamuni que, diante das absurdetes diárias da Câmara Municipal de Curitiba, costumava inverter o provérbio: “Eu vejo tudo e não morro”. Se na Câmara os absurdos se limitam à capital, na Assembleia eles não têm limites. Espalham-se pelo estado. O último deles foi a liberação do consumo de cerveja, aprovada pela CCJ, a Comissão de Constituição e Justiça da Casa. Esqueça a lei federal e o Estatuto do Torcedor de 2003, a bebida volta à cena.

CONTORCIONISMO

Os membros da comissão, entre eles Luiz Cláudio Romanelli (PSB), Nelson Justus (DEM) e Alexandre Curi (PSB), julgam que onde, na lei, se diz “porte de objetos, bebidas ou substâncias proibidas ou suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência” não está incluída a Santa Cerveja de Cada Dia. Sim, é um exercício de contorcionismo, mas que vai ao encontro do lobby dos sindicatos e também dos bares, lanchonetes e restaurantes instalados nos estádios. Não se mede o grau de violência que está relacionado ao consumo de bebida, já em alta octanagem, nem se discute o papel das torcidas organizadas, de ficha sujíssima, no papel de aceleradoras dos confrontos e das cenas de vandalismo.

SANTO JUIZ

Em 2015, foi a vez da Câmara Municipal de Curitiba colocar em discussão um projeto que burlava o Estatuto do Torcedor. A cerveja estava, sim, liberada no estádio, mas só nos 15 minutos finais do jogo. Talvez desse certo. Os torcedores até se uniriam para que o árbitro, tão xingado das gentes, concedesse lá uns 10 minutos de acréscimo. Quanto ao placar do jogo, bobagem.

A proposta não passou, mas a máxima de Salamuni continua valendo.

“Eu bebo e não vejo tudo”. Ou qualquer coisa assim.

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