quinta-feira, 7 maio, 2026
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Confissões de um Jânio apaixonado à espera de Liz Taylor

Jânio Quadros: um apaixonado; Elizabeth Taylor: para depois da “renúncia”; e Hugo Borghi: ‘pai’ do PTN original
Jânio Quadros: um apaixonado; Elizabeth Taylor: para depois da “renúncia”; e Hugo Borghi: ‘pai’ do PTN original

Oscar Alves e Cleto de Assis dividem memória dos tempos do governo de Jânio Quadros. Estavam no Paraná, em 1960, tratando de fazer Ney Braga governador em uma intrincada disputa, enquanto Jânio Quadros flanava em seu partido quase desconhecido, o PTN, fabricado na medida para que ele vendesse o seu populismo balsâmico, em que anunciava que iria varrer a corrupção do país. Daí o símbolo da vassourinha. Jânio tivera uma ascensão meteórica. De vereador a deputado, de deputado a prefeito, de prefeito a governador de São Paulo e depois presidente.

Hugo Borghi, depois deputado federal, foi o fundador do antigo PTN (não é o atual).

Ney e Jânio eram grandes amigos. Haviam estudado juntos no internato do Ginásio Paranaense, em Curitiba, e tinham afinidades políticas. Jânio fora filiado ao PDC, o mesmo partido com que Ney disputaria e venceria a eleição ao governo do Paraná.

DRAMA DE OPERETA

Empossado em 1961, Jânio deu mostras de que sua demagogia, seu exibicionismo e sua dramaticidade de opereta não faziam parte apenas da campanha, mas de seu estilo de governar. Em breve andaria às turras com o Congresso a insinuar que “forças ocultas” estavam a tramar-lhe a queda. Na primeira viagem internacional, foi a Londres, na Inglaterra, aonde chegou profundamente gripado. Obrigado a convalescer por alguns dias em um hospital, soube que a atriz Elizabeth Taylor, estava na capital britânica para mais um filme.

LIZ TAYLOR, OLHOS DE VIOLETA

Cleto de Assis, que ouviu a história de Ney Braga, diz que Jânio deu ordens expressas ao Embaixador do Brasil para que a convidasse a visitá-lo. Ele relutou, mas cumpriu a ordem. Para sua surpresa, a linda Liz Taylor, de cabelos negros e olhos cor de violeta aceitou o convite.

Ficou de aparecer no dia seguinte e, de fato, cumpriu o prometido.

Jânio ficou encantado. Os dois conversaram em inglês. Em cinco minutos, ele a convidava para visitar o Brasil. Em seis minutos, ela aceitou. Em sete minutos, combinou-se a data, novembro daquele ano. Jânio retornou determinado a fazer os preparativos. Talvez a levasse a visitar a Amazônia. Talvez fossem ao Sul do país e atravessassem a fronteira para Bueno Aires.

PROTODITADOR

Cleto de Assis e Oscar Alves presumem que as motivações políticas de Jânio, em meados daquele ano, também eram embaladas pelo sonho de ver Liz Taylor no Brasil e, quem sabe, torná-la primeira-dama de um protoditador. Jânio renunciou porque esperava que o Congresso Nacional e as Forças Armadas o devolvessem ao governo, agora com poderes especiais.

Quando viu que seu plano fora por água abaixo, desesperou-se. Se Elizabeth Taylor viria ao Brasil mesmo, conforme prometera a Jânio, não se sabe. No seu íntimo, Jânio via no presidente de 43 anos e na atriz, de 28, uma conjunção de estrelas que não se repetiria senão em milhões de anos. Não há uma nota a respeito nas biografias de ambos. O constrangimento foi mútuo e, portanto, inenarrável.

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