
André Luiz Pinto dos Santos (*)
O ano novo está chegando e, neste momento de finalização de calendário, as pessoas costumam se reunir, ou pelo menos se reuniam. Juntam-se para comemorar as realizações e para saudar a prosperidade, o amor e, mais do que nunca, a saúde, a vida. Para passar este momento, muitas vezes as pessoas escolhem roupas específicas.
Alguns gostam de se vestir mais social, outros de forma mais despojada, contudo, o que costuma prevalecer é a preocupação com a cor das vestimentas. Quantas vezes você pensou: “Vou de roupa branca, assim fica mais adequado para a passagem de ano”. Já parou para pensar o porquê das pessoas tanto se preocuparem com as cores de suas roupas neste momento? Talvez a crendice popular se apegue a questão de que a cor branca, se é que podemos dizer que o branco é uma cor (para lembrarmos de Newton e seus ensinamentos da física), costuma, na cultura ocidental, não estar atrelada a nenhuma concepção maléfica.
Por outro lado, o branco não passa para o observador significado de aconchego, carinho, etc. Quando muito, o branco transmite a ideia de “paz”. Na maioria das vezes, você não escolheria o branco como cor predileta. Há quem veja na cor branca a ressureição, o início. Para alguns pintores, é o começo do trabalho. Desde os impressionistas, boa parte das telas que são produzidas, saem da indústria na coloração branca.
Isso porque é a cor de fundo que mais reflete outras cores. Portanto, o branco liga-se a luz em diferentes campos do saber. Eva Heller, em seu brilhante trabalho sobre a psicologia das cores, relembra que Zeus apareceu para os europeus como um cavalo branco; assim como o espírito santo que se mostra simbolicamente como uma pomba branca.
Enfim, são inúmeros os exemplos que poderiam ser dados para justificar aquela escolha de roupas para a passagem de final de ano, que muitas vezes se dá de maneira inconsciente. O que importa mesmo é sabermos que seja qualquer cor, branca, preta, amarela, vermelha, azul, verde, roxa…a cor é um elemento formal cultural. Damos significados a cor em função do entorno no qual estamos inseridos.
Por isso, se na noite de réveillon você escutar alguém dizendo que irá vestir uma parte intima na cor amarela, que passará com um traje verde ou ainda aqueles que não ligam para as cores nas roupas de fim de ano, não estranhe! Lembre-se de que cor é cultura, e é na diversidade em que mora a felicidade.
Boas festas!
*André Luiz Pinto dos Santos é mestre em Educação e Novas Tecnologias e professor da área de Linguagens Cultural e Corporal nos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Artes Visuais do Centro Universitário Internacional Uninter.
