sábado, 11 abril, 2026
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Colônia Muricy: “Arte” de não fazer turismo

Colônia Muricy. Foto Roberto Dziura Jr/PMSJP
Colônia Muricy. Foto Roberto Dziura Jr/PMSJP

É louvável e necessário o esforço que prefeituras da Região Metropolitana de Curitiba fazem para promover suas raras atrações turísticas.

No entanto, o que se tem constatado é que são raquíticos os pontos de interesse turísticos e, geralmente, malcuidados, aparecem carentes de infraestrutura pública, sendo em nada estimulantes a visitas. Folhetos com um mínimo sobre esses ambientes são raridade.

São de interesse quase zero para os moradores da RMC, e nem pensar em chamar gente de mais longe para ver “as atrações”.

Domingo, constatei, numa longa visita com familiares ao local, quão distante está, por exemplo, a Colônia Muricy de ser considerada ponto de interesse turístico. Isso apesar das campanhas que a Prefeitura de São José dos Pinhais faz para promovê-la. Mas propaganda e publicidade não resolvem sozinhas, se não tiverem fatos reais para sustentá-las.

No caso de Muricy, nunca vi tão jogada fora uma possibilidade turística de tão grande apelo, como a de ser berço do povo polonês em S.José dos Pinhais.

Colônia Mergulhão (Portal)
Colônia Mergulhão (Portal)

SÓ O PORTAL

O que existe, na Muricy, como linha demarcatória de uma proposta de turismo local, é um portal ainda em construção.

Quem chega, encontra uma sucessão de estradas e ruas mal sinalizadas e malconservadas, com raras placas indicando espaços comerciais que tenham conexão com a proposta local, que seria de mostrar a Colônia como um dos berços dos poloneses que vieram para a região no final do século 19.

UM ARREMEDO

O arremedo de asfalto – ou “casca de ovo”, aquele asfalto primário – é permeado de buracos e algumas crateras. Sem exageros. Mas o que predomina mesmo são vias de terra, saibro, muito pó, e uma ‘aventura’ para se chegar a alguma “atração”.

Na Rua São José Maria Escrivá, por exemplo, a desorientação é ampla e irrestrita. Chega-se a um dos cafés coloniais (e o endereço é de boa qualidade, tem cavalo para a criançada e ampla área verde) depois de se recorrer à salvação do GPS. Compensam o sacrifício o atendimento feito pelos donos do café e a qualidade do amplo cardápio disposto em Buffet.

Igreja N.S. Anunciação na Colônia Dom Pedro II
Igreja N.S. Anunciação na Colônia Dom Pedro II

CULTURA POLONESA

Há uma casa de cultura polonesa, perto da igreja matriz. Estava fechada na tarde de domingo. Restaurantes típicos, aqueles que poderiam estar vendendo comida polonesa, não os encontramos. Será que existem? O que vimos foi anuncio de espaços para eventos.

Não identificamos nenhuma propaganda indicando que na colônia se cultivem pratos poloneses, nem danças típicas ou música da terra de Chopin.

Claro que há igrejas, além da Matriz, de interesse arquitetônico-histórico. Devem remontar ao começo do século 20.

De passagem, sem indicativo de sua importância histórica visível para quem trafega de carro, vislumbramos uma casa que, tudo indica, remete aos tempos de pioneiros. E só.

Não só o poder público falha no caso de Colônia Muricy: a iniciativa privada oferece quase zero para ordenar e tornar visível “atrações” e eventuais marcos daquela área.

NEM A IGREJA

Nem a Igreja Católica, que teve o mérito de educar e liderar a colônia em tempos pioneiros, oferece alguma contribuição notável para Muricy, de onde saímos decepcionados, e com o gosto amargo de quanto ainda somos primários em promover um filão como o da colonização europeia do século 19.

A Igreja é parte essencial da história local, pois chegou, com a congregação SVD, os padres chamados de verbitas (Verbo Divino) junto com os pais fundadores. E lá permanece.

MERGULHÃO

Para não dizer que tudo vai mal em São José dos Pinhais, sei que a Colônia Mergulhão – formada por pioneiros italianos e poloneses – vai fazendo a lição de casa. Recebe bem os que a procuram em busca de produtos comestíveis coloniais, restaurantes e áreas de lazer. Há um mínimo de sensibilidade turística em Mergulhão, a começar pela sinalização apresentada de forma constante e com letras que garantem (pelo tamanho) uma correta indicação dos endereços que se procuram.

Uma boa exceção, na RMC, é a Colônia D.Pedro II, em Campo Largo, também ponto de chegada dos poloneses no Paraná.

Em breve me ocuparei da D.Pedro II que, se não é um primor de atração, está pelo menos garantindo o mínimo de infraestrutura aos que a procuram em busca de identificar traços dos pioneiros polacos.

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