sábado, 11 abril, 2026
HomeMemorial“Cidade vive de glórias passadas,” diz vereador ao criticar mudanças no plano...

“Cidade vive de glórias passadas,” diz vereador ao criticar mudanças no plano diretor

Vereador Jorge Bernardi
Vereador Jorge Bernardi

Uma das vozes destoantes da forma como foram aprovadas as modificações no Plano Diretor de Curitiba é o vereador JHorge Bernardi, da Rede de Sustentabilidade. Não nega que houve discussões públicas.

No entanto, critica o que considera ter sido a quase que exclusivas explanações  feitas por técnicos do IPPUC. Para ele, as lideranças comunitáriads não conseguiam entender as exposições. E crava o vereador Bernardi: “O Plano  Diretor não pode  beneficiar a especulação imobiliária, o lucro fácil. A cidade deve ser para todos, inclusiva, em que todos moradores tenham seus direitos respeitados. Embora o ordenamento do território seja eficaz para termos um desenvolvimento inteligente e eficaz nas áreas metropolitanas, a gestão não pode se limitar ao zoneamento territorial.” E mais: “Tenho algumas críticas a ele, a forma autoritária como foi elaborado, em que as audiências públicas se constituíram em verdadeiras apresentação dos técnicos.”

Para ele, Curitiba vive de glórias do passado, em matéria de Urbanismo.

A mensagem do Prefeito, elaborada basicamente pelo IPPUC, definiu os planos setoriais como atos administrativos para que não fossem objeto de aprovação pela Câmara.”

Parque Tanguá (projeto de Rodolfo Doubek)
Parque Tanguá (projeto de Rodolfo Doubek)

Curitiba fez a revisão do Plano Diretor.  Que críticas você tem sobre o que foi aprovado?

R – Embora tenham havido pequenos avanços, a revisão do Plano Diretor limitou-se a diretrizes, trata-se de uma grande carta de intenções, com pouca aplicação prática. Tudo vai depender de novas leis que terão de ser aprovadas. O pior é que os Planos Setoriais, Planos Estratégicos e Planos das Regionais, que serão elaborados apenas por técnicos do IPPUC e não serão debatidos e aprovados pela Câmara Municipal.

Mas como isto aconteceu?

R – A mensagem do Prefeito, elaborada basicamente pelo IPPUC, definiu os planos setoriais como atos administrativos para que não fosse objeto de aprovação pela Câmara. Uma jogada para evitar que o legislativo participe da elaboração destes planos. O pior é que muitos vereadores entraram nessa. Verdadeiro golpe na participação popular, já que meia dúzia de técnicos vão decidir em nome de toda a população de curitibana. Voltamos a época do autoritarismo, do planejamento urbano autoritário que vigorou durante muito tempo em Curitiba.

Que Planos Setoriais e Estratégicos que não serão aprovados pela Câmara Municipal?

R – Os planos setoriais que não se tornarão lei são: Mobilidade e Transporte Integrado; Habitação e Regularização Fundiária; Desenvolvimento Econômico; Desenvolvimento Social; Defesa Social e Defesa Civil; Desenvolvimento Ambiental e Conservação da Biodiversidade; e Saneamento e Gestão de Recursos Hídricos.

E os Planos Estratégicos quais são…

R – Os Planos Estratégicos que não serão debatidos e aprovados pela Câmara e serão elaborados por técnicos desconhecidos, sem o conhecimento da população e a participação da sociedade. Plano Cicloviário, de Mudança do Clima, Paisagem Urbana, Zoneamento Subterrâneo, Calçadas, Acessibilidade, Inovação, Arborização, Cultura, Turismo, Esporte e Lazer.

Os Planos das Administrações Regionais, também serão elaborados por técnicos do IPPUC sem a participação da comunidade?

R – Sim. Todos estes planos regionais como  o de desenvolvimento dos bairros, de vizinhança, de investimentos  não serão votados. A população será, no máximo,  apresentada a todos estes planos.  Participação zero, já que a Câmara não vai deliberar sobre eles.

Como foi a participação da comunidade na revisão do Plano Diretor?

R – Houve audiências públicas, não podemos negar. Porém as audiências, infelizmente foram mais apresentação do que os técnicos estavam fazendo do que ouvir efetivamente a comunidade. Eu mesmo fui procurado pela Câmara Regional do Boqueirão, entidade que reúne dezenas de associações de bairros, que solicitaram que eu fizesse um curso sobre o Plano Diretor. Muitos dos participantes não estavam entendendo o que os técnicos estavam apresentando nas audiências.

CIDADE

 “O novo urbanismo europeu e americano defende cidades mais compactas, verticalizadas, unindo habitação, escritórios, comércio, menos poluidoras, que utilizam mais os deslocamentos de forma coletiva e a pé. O Plano  Diretor não pode  beneficiar a especulação imobiliária, o lucro fácil.”

E você fez o curso para os moradores de bairro sobre o Plano Diretor?

R – Sim, no dia 28 de agosto, uma sexta-feira, reunimos cerca de 30 lideranças da região do Boqueirão e até de Almirante Tamandaré na Câmara que queriam entender mais sobre o Plano Diretor. A reunião começou as 19h00 e foi até as 22h30. Tenho um livro sobre Política Urbana e nele um capítulo sobre o Plano Diretor. Procurei explicar como funciona o Plano Diretor e a importância dele para a cidade. Mas foi um uma gota d’ agua num oceano. As audiências públicas, mesmo as da Câmara,  foram mais apresentações do que debates profundos sobre o Plano Diretor.

Que outras críticas você tem ao Plano Diretor?

R – O novo urbanismo europeu e americano defende cidades mais compactas, verticalizadas, unindo habitação, escritórios, comercio, menos poluidoras, que utilizam mais os deslocamentos de forma coletiva e a pé. O Plano  Diretor não pode  beneficiar a especulação imobiliária, o lucro fácil. A cidade deve ser para todos, inclusiva, em que todos moradores tenham seus direitos respeitados. Embora o ordenamento do território seja eficaz para termos um desenvolvimento inteligente e eficaz nas áreas metropolitanas, a gestão não pode se limitar ao zoneamento territorial. Os cidadãos devem ser os protagonistas deste novo urbanismo, incluindo o setor publico, empresarial, o ensino e a pesquisa, as instituições não governamentais, para que a cidade se torne competitiva em termos regionais e globais. Infelizmente isto não tem ocorrido em Curitiba, Patinamos e deixamos de ser protagonistas de um novo urbanismo, moderno e que promova o bem-estar e a qualidade de vida da população. Vivemos das glórias do passado.

Leia Também

Leia Também