terça-feira, 28 julho, 2026
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REPERCUTINDO: CENSOR, O NOVO PAPEL DO HISTRIÔNICO PREFEITO

Requião | Jaime Lerner | Beto Richa | Ney Braga

Engenheiro, Greca quer censurar Tupan Alves porque o jornalista conhece o básico de Aritmética e ousou dizer que o prefeito teria chegado ao limite de crescimento de intenção de votos.

 

Faz parte do espírito histriônico, inquieto, melodramático e compulsivo do prefeito Rafael Valdomiro Greca de Macedo desempenhar vários papéis ao mesmo. Que o digam os que com ele convivem no dia a dia, como os “abnegados” e bem remunerados que o servem no Gabinete da Prefeitura. É gente como coronel Zanatta e/ou o fiel Lucas.

Já  GG e Aranha Marrom nunca se manifestarão criticamente sobre o alcaide. Precisam, isso sim, inflar o  ícone político e o marketing que o sustenta e a todo seu entourage.

DONO DA FESTA     

A esse rol de papéis, tenho de acrescentar, por questão de justiça, o de “meteur-en-scène”, como aquele em que ele aparece em fotos comandando o espetáculo, com gente vestida à século 19, na reabertura da capela da Glória em 2019. Lembram-se? É um momento típico de quem coloca o acessório – para não dizer o burlesco – em lugar do essencial que se espera de um prefeito de cidade do porte de  Curitiba. Pão e circo, a pretexto de um ato histórico e religioso…

Agora tenho de acrescentar uma nova “persona” no currículo do prefeito Rafael Valdomiro Greca de Macedo: o de censor da liberdade de imprensa, que é uma das jóias garantidas pela Constituição de 1988.

FUGINDO DA LÓGICA  

E como se apresenta esse novo papel do alcaide? Simplesmente quando, no meio do debate de ideias e análises, fugindo do marketing bem pago da Prefeitura, um jornalista independente (como o é a maioria dos profissionais da comunicação), Tupan Alves, cometeu o “pecado” de analisar, numa emissora de rádio de grande audiência, com inteligência, método e arguto espírito de observação, que ele, Greca, já atingiu o seu limite de aceitação, segundo a pesquisa IBOPE-RPC.

Simplesmente porque – disse Tupan – ao conquistar, segundo a pesquisa, os 47% das intenções de votos, o prefeito não teria mais o que crescer. Elementar, caro Watson…

CRIME DO TUPAN     

O crime de Tupan foi, pois, o de alertar,  em alto e bom som, num puro exercício de lógica e de probabilística, que “Greca de Macedo não tem o apoio de 53% dos eleitores de Curitiba.” Tupan não é engenheiro, como Greca. Mas sabe aritmética básica, e conhece os meandros das probabilidades. Além de ser um profissional responsável e bem montado culturalmente.

Pois, note-se: com saudade dos tempos em que militou em partidos de apoio ao regime autoritário instaurado em 1964 (PDS e PFL), e com os quais ganhou eleição inicial de vereador, Greca teve faniquitos, bradou, gritou, xingou o jornalista Tupan, conhecido por uma dedicada e inteligente oposição ao reinado do alcaide na Prefeitura.

Estaríamos diante de um caso de TOC, o transtorno obsessivo compulsivo? Tudo é possível.

E, como não poderia simplesmente sair de tacape  contra Tupan, Greca tratou de processá-lo, exigindo que a justiça seja-lhe comparsa em desejo censório descabido.

NEY, SABBAG, ARZUA, DUCCI, RICHA     

Revisando minhas lembranças, desde pré-Internet, e mais atuais, de todos os prefeitos de Curitiba que conheci – desde Ney Braga, quando eu era ainda criança -, não me consta a existência de censores à liberdade de imprensa.

Ivo Arzua, que assinou também o AI-5, era um gentleman com os jornalistas, idem para Omar Sabbag. Gustavo Fruet, Ducci e Beto Richa, mais recentes, nunca chegaram sequer a ameaçar processar comunicadores, muito menos aquele que hoje deve lamentar o erro de ter revelado e “criado” Greca – Jaime Lerner.

REQUIÃO, O EX-AMIGO

Orgulho-me de minha memória. Até por isso, faço um breve “stacato” ao falar de espíritos autoritários. E  assim acredito ter achado o ex-prefeito de Curitiba que inspirou o autoritarismo de Rafael Valdomiro Greca de Macedo. É Roberto Requião de Mello e Silva.

Os dois são ex-grandes amigos e a quem Greca prestou homérica vassalagem, depois de ter sido estigmatizado por denúncias envolvendo costumes do atual prefeito. Lembram-se? Quem não se lembra, recomendo a leitura de edições dos anos 80/90 do jornal “Impacto”…

CICLO DE TRAIÇÕES  

Rememorando: Requião foi sempre um inconformado com a existência de opositores, na Prefeitura e no Governo do estado. Processou jornalistas que o “magoaram” e na famosa escolinha que implantou na Rádio e TV Educativa, nunca escondeu ser um espírito autoritário, alguém que chegava a arrancar microfone da mão de jornalistas “praticantes” de perguntas que o desagradavam.

A propósito : não toquem hoje em dia no nome do Requião para o Greca. O velho ex-senador traz-lhe à mente outra cruz pesada que ele carrega – a de traidor. Pois quem conhece a história política do Paraná sabe que aliança de Greca a Requião apenas deu sequência a um ciclo de traições (iniciado contra Lerner). Ciclo que o atual alcaide vai ampliando, e já envolveu Beto Richa. E tende a ampliar logo logo. Quem viver…

NOTITIA CRIMINIS

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