quarta-feira, 28 janeiro, 2026
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Carol Macedo: Que haja cuidado antes do registro

Caminhando no parque pela manhã, uma senhora tropeçou e caiu. Daquelas quedas bobas, mas feias. Ela vinha em minha direção. Estávamos a pouco mais de cinco metros no momento do tropeço. Um casal vinha logo atrás dela. Corri para ajudar. Os óculos voaram para um lado, junto com a garrafa de água, e ela para o outro.

Ajudei-a a sentar no gramado e, nesse momento, um funcionário do parque também veio auxiliar. Enquanto eu juntava os óculos, vi o casal olhando para a senhora, que já estava atrás deles, uma vez que seguiram caminhando. O parque estava cheio: pessoas se exercitando, turistas posando para fotos. Lembrei de uma cena que correu a internet há alguns dias. No BBB – sim, a gente diz que não assiste, mas é impossível não ser atingido pelas notícias – uma pessoa entrou em convulsão. Houve gritos, mas não ajuda. O que se faz numa situação dessas? Eu não sei. Mas ficar parado certamente não é a resposta certa.

Um morador de rua é agredido e celulares são sacados. Um acidente acontece e, em minutos, dezenas de vídeos correm a internet. Mas, entre tantas mãos segurando câmeras, nenhuma é estendida para ajudar.

Eu entendo. O celular hoje é importante. Se ninguém apertasse o “rec”, talvez não tivéssemos visto, finalmente, alguma reação dos estadunidenses às atrocidades que sua polícia, e governo, vem cometendo. Mas será que, na busca pela performance, pelo like ou pelo prêmio milionário, não estamos esquecendo de estender a mão?

Sei lá. Amanhã pode ser você no parque. Ainda que vire meme, é bom ter alguém que ajude a retomar o caminho.

*Carolina Macedo é curitibana, empresária, cigar sommèliere e pioneira no universo dos charutos, atuando à frente da Bulldog Tabacaria e abrindo espaço para mais mulheres no setor. Fala sobre este universo, além de agendas de cultura e lazer.

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