Por Carolina Macedo – As eleições estão aí, e domingo a gente define o futuro do nosso Estado, do nosso País. E não, você não está na coluna errada. Aqui o papo é sim sobre charutos e bebidas.
Nas últimas semanas, qualquer pessoa minimamente informada escutou sobre Daniel Vorcaro e as suas festinhas envolvendo charutos e bebidas. Até o momento temos o nome de muitos e muitos homens envolvidos nesses encontros, desde candidatos a presidente até grandes empresários e jogadores de futebol. Diariamente, alguém entra no meu bar e pergunta se a gente tem o mesmo rótulo de um dos encontros do ex-banqueiro. E sim, os charutos e o whisky.
Desde que eu entrei nesse universo e comecei a batalhar para ocupar esse espaço, tentei trazer comigo outras mulheres, e para muito além dos cargos dentro do mercado dos charutos e das bebidas. Tentei abrir espaço para elas, principalmente dentro da área social desse mundo.
Ainda não vimos notícias de mulheres degustando charutos e bons whiskys nessas rodas que estampam os jornais. E anseio para que isso não aconteça, afinal já temos nomes demais corrompidos, mas o que eu quero chamar a atenção hoje é que, ainda que alguns digam que, nós mulheres, dividimos de maneira igual o espaço de poder com homens, citando exemplos de mulheres na política e chefiando empresas, a realidade não é bem assim.
As grandes decisões são tomadas assim, em poltronas de couro, envolto na fumaça de um bom charuto e no tilintar das taças. As mulheres presentes, quando muito, são – infelizmente – um adorno.
Não quero ver mulheres em encontros escusos cometendo ilegalidades. Tão pouco acredito que mulheres são seres incorruptíveis. O que eu quero hoje é dizer para você mulher ocupar os espaços de poder além da mesa de CEO. Ocupe as tabacarias, caso goste de um bom puro. Ocupe as mesas dos jantares antes das grandes reuniões, onde os acordos começam a ser desenhados e mais do que isso, ocupem o Senado, o Congresso e onde mais houver decisões sendo tomadas. Até porque ninguém vai defender os nossos interesses se não nós mesmas.
Somos a maioria do colégio eleitoral no país, mas ainda ocupamos a minoria das cadeiras. E em um momento onde o movimento para proibir o voto feminino cresce, e candidatos com chance real a ocupar cargos no executivo e no legislativo dão apoio a esse pensamento, com a intenção de calar a mulher, penso que fomentar o mercado dos charutos para o público feminino, que era o que eu pretendia nesse texto, parece perder força, uma vez que preciso gritar para que não me tirem os direitos que conquistamos há apenas 61 anos, o direito ao voto. Minha avó passou anos da sua vida sem o direito de votar e isso volta a ser cogitado. Imagine, então, beber um whisky e acender um charuto, vai parecer um crime nesse cenário que querem (re)desenhar.

*Carolina Macedo é curitibana, empresária, cigar sommèliere e pioneira no universo dos charutos, atuando à frente da Bulldog Tabacaria e abrindo espaço para mais mulheres no setor. Fala sobre este universo, além de agendas de cultura e lazer.
