sexta-feira, 1 maio, 2026
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Bibinho sim, Marajá não

Abib Miguel, o “Bibinho”: contra a imprensa
Abib Miguel, o “Bibinho”: contra a imprensa

Velho amigo da coluna manda o seguinte relato, que é repassada aos leitores:

“Só a quebra de sigilo do processo permitiu, recentemente, que se tivesse notícia do habeas corpus concedido ao ex-diretor-geral da Assembleia Legislativa, Abib Miguel, o Bibinho.

TEMERÁRIO

Acusado de desviar mais de R$ 200 milhões do Legislativo, ele foi solto no dia 21 de dezembro do ano passado com a dispensa do uso de tornozeleira eletrônica, o que é, no mínimo temerário.

RECADO

Preso há dois anos, ele deixou o quartel da PM em Curitiba dizendo:

“Aqui dentro sou o Abib Miguel, lá fora sou o Bibinho”, em tom ameaçador. O que ele quis dizer com isso? Difícil afirmar. Talvez esteja mandando algum recado.

EMINÊNCIA PARDA

Bibinho foi o peixe grande fisgado no escândalo dos ‘Diários Segredos’ deflagrado pelo Ministério Público do Paraná. Até que isso ocorresse, no entanto, ele circulou como uma eminência parda pelos corredores dos três poderes e como um intocável em qualquer esfera pública.

SUSPEITAS

Há um episódio acerca do ex-todo-poderoso da Assembleia Legislativa que merece ser narrado. Procurador-geral aposentado da AL, com ganhos de R$ 19 mil à época, Bibinho era alvo de um processo no Ministério Público, que havia levantado dúvidas sobre sua formação em Direito. O MP questionava ainda se ele havia exercido a profissão no Paraná, condição exigida para que se tornasse procurador.

MARAJÁ

Um jornalista publicou o caso, destacando a precariedade da formação de Abib Miguel, e a sua condição de “Marajá”, uma vez que somava um dos mais altos salários da Casa.

PROCESSO

Foi o suficiente para que Abib Miguel, agora investido do alter-ego Bibinho, movesse um processo criminal contra o profissional de imprensa.

O objeto de sua reclamação, contudo, não era sua questionável condição de procurador aposentado, mas o termo “Marajá”.

LÉXICO

Mesmo confrontado com três dicionários que diziam, em seus respectivos verbetes, que a palavra “Marajá” designava um funcionário público com salário vultoso, Bibinho exigia que o jornalista pagasse a conta pela ofensa.

AUSENTE

Diga-se que, apesar das várias audiências realizadas ao longo do processo, Bibinho nunca compareceu. Fazia-se representar por seus advogados. Nessa hora, ao que parece, mandava um recado que não trazia o temor de seu apelido: “Aqui dentro sou o Abib Miguel. Lá fora sou o Bibinho”.

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