
Bia Wouk está de volta à terra natal.
Salve a Bia, um valor que as novas gerações de paranaenses precisam conhecer, com seus desenhos registrando realidades quase sempre “escondidas” de nós, simples observadores deste mundo real/irreal.
Comedida no falar, algo ensimesmada (mesmo com os amigos), às vezes Bia me parece uma tímida que só desabrocha por inteiro quando está a desenhar. Aí desaparecem todos os “freios”.
Mas ela mesma até consegue se surpreender. Com muito esforço, consigo, por exemplo, que relate suas surpresas com gente da nova safra de artistas paranaense. Ela cita, no caso, Cleverson Oliveira e Carina Weidle.
Não está preocupada em definir-se como artista, apenas em trabalhar, mais e mais, com seus lápis de cor.
Para quem tem interesse em investir em arte, Bia Wouk está cada vez mais valorizada no mercado. Leia, a seguir, a entrevista de Bia:

2 – LEÃO, ROSSANA E ELIANE
1) Como é reencontrar Curitiba, sob a ótica das artes plásticas? Reencontrou amigos, fez contatos com as novas gerações? Com quem?
R) Cheguei há pouco mais de três meses e nesse tempo sobretudo me dediquei a instalar a casa e o atelier. Quase quatro décadas de memórias na estrada. Logo após minha chegada, recebi convite do Marco Mello, da Galeria Casa da Imagem, para expor meus desenhos da série ‘cinema particular’. A melhor maneira de chegar ao Brasil é mostrar meu trabalho e, no processo, reencontrar amigos.
Recentemente vi mostra de Geraldo Leão, que sempre teve um trabalho belo e consistente. No Paço da Liberdade vi uma exposição relâmpago de artistas paranaenses dos anos 80 para cá. Foi bom rever, além do trabalho do Geraldo, o de Rossana Guimarães e o de Eliane Prolik, que admiro faz tempo. Descobri artistas jovens que não conhecia, com obras instigantes e estimulantes, como Cleverson Oliveira e Carina Weidle. Outra descoberta foi a do trabalho refinado de Lilian Gassen.
2) Como você classificaria sua atual produção em artes plásticas? Que materiais usa?
R) Nunca me preocupei em classificar minha obra. Desde sempre trabalhei com lápis de cor, sou antes de tudo uma desenhista. Na série da atual mostra usei grafite sobre papel. A série na qual trabalho agora é sobre momentos sutis da intimidade, desenhos como uma orquestra de câmara, objetos de reflexão e emoção, usando lápis de cor sobre papel.
3 – TRAÇOS COMUNS
3) Sua geração -anos 70/80 – teve a característica de ser muito operosa e produtiva. Bia, Zimmermann e Cromieck eram exemplo de quanto investiam em suas possibilidades. Aquilo que lhe foi dado a ver, até agora, tem pontos em comum com os jovens do seu começo como artista plástica?
R) Sempre é possível ter pontos de identificação com artistas de gerações recentes e creio que o traço comum entre artistas são o entusiasmo, o fascínio pela descoberta, o exercício diário do fazer artístico, a inquietação, o prazer de trocar ideias.
4) Você viveu mais fora do Brasil do que no país, nas últimas décadas. Assim, avalie quanto a experiência americana e europeia gerou acréscimos ao seu currículo. Explicite-os, por favor.
R) Os longos anos de itinerância constante me trouxeram, muito mais do que acréscimos ao currículo, uma experiência rica de vida e cultura. Tive o privilégio de morar e trabalhar em algumas das cidades mais interessantes do mundo e tentei aproveitar o máximo de cada uma delas. Sou rica de amigos por todas as partes, rica de memórias e carrego esse universo de vivências em mim.
4 – “FIEL A MIM MESMA”
5) Bia continua fiel à sua linha de trabalho dos anos 70/80, acredito. Mas como convive com a vanguarda das denominadas instalações?
R) Continuo fiel sobretudo a mim mesma, à prática diária e solitária do desenho no atelier. Há muitos artistas brilhantes que trabalham com instalações, performance, vídeo. Para ser artista não é necessário saber desenhar ou pintar, mas essa não é minha linguagem e soaria falso se tentasse fazer algo que não faz parte de minha história.
PARTE DO CURRÍCULUM
Bia Wouk nasceu em Curitiba, Paraná, em 5 de dezembro de 1952. De 1976 a 1980 viveu em Paris, onde estudou na École Nationale Supérieure des Beaux Arts. Viveu e trabalhou em Paris, Beirute, Cidade do México, Brasília, San Francisco, Lisboa, Londres, Miami, Chicago e Madri.
Entre as mostras individuais estão: MAM, Rio de Janeiro (1975); Galerie du Club 44, Genebra (1978); MAC, Curitiba (1981); Galerie Jean-Pierre Lavignes, Paris (19820; Paulo Figueiredo Galeria de Arte, São Paulo (1983); Simões de Assis Galeria de Arte, Curitiba (1986); Galeria de Arte Mexicano, Cidade do México (1984, 1986); Museu Alfredo Andersen, Curitiba (2000); Referência Galeria de Arte, Brasília (2004); Solange Rabello Art Gallery, Miami (2005).
Entre as mostras coletivas estão: 12a. e 13a. Bienal Internacional de São Paulo(1973, 1975); Salão Nacional de Arte Paranaense, Curitiba, artista convidada, prêmio de aquisição (1972, 1973); 22o. Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro (1973); Salão de Arte Contemporânea de Campinas/Desenho Brasileiro 74, prêmio de aquisição; Arte Agora/ Brasil 70-75, MAM, Rio de Janeiro (1976); 6o., 7o., 8o. e 15o. Panorama de Arte Contemporânea Brasileira, MAM, São Paulo, artista convidada (1976,1977, 1978, 1987); 2o., 3o. e 8o. Salão de Desenho Brasileiro, Curitiba (1980, 1981, 1989), prêmio de aquisição, sala especial; Arte Contemporáneo Latinoamericano, Museo de Arte Moderno, Cidade do México (1983); Encuentros de Artistas Latinoamericanos, Museo de Artes de la Universidad de Guadalajara (1994, 1995); Nano Exposição 7.0, Studio 44, Estocolmo (2009). Mostras coletivas em galerias em Paris, Cidade do México, Washington, San Francisco, Lisboa e Miami.
ANOTE: A MOSTRA
‘Cinema Particular’, mostra de desenhos de Bia Wouk.
Galeria Casa da Imagem: Rua Dr. Faivre, 591
Abertura: 29 de agosto, de 10:30 às 15 horas
A mostra estará aberta de 29 de agosto a 3 de outubro.
