terça-feira, 5 maio, 2026
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As vantagens da máquina do governo numa eleição

Roberto Requião: maledicências, como sempre; Carmen Lúcia: “atestado definitivo”; Pepe Richa: candidatura?; Beto Richa: encruzilhada
Roberto Requião: maledicências, como sempre; Carmen Lúcia: “atestado definitivo”; Pepe Richa: candidatura?; Beto Richa: encruzilhada

Ser reeleito ou não ser reeleito. A questão parece shakespeariana. Não é. O dispositivo da reeleição aprovado em 1997, sob o governo Fernando Henrique Cardoso (há 20 anos portanto) ainda parece não ter sido digerida pelas hostes políticas. A alegação é de que o ocupante do cargo, salvo rejeição maiúscula, como foi o caso de Gustavo Fruet, tem sempre a vantagem da máquina a seu favor.

Os que discordam dizem que, na prática, já era assim. Aqueles que cumpriam apenas um mandato, não renovável, preparavam seu sucessor ao mesmo tempo em que urdiam seu retorno no intervalo de quatro anos.

2 – SACO DE MALDADES

O ex-senador Osmar Dias sofreu o dissabor de disputar a eleição com um governador que dispunha da prerrogativa de renovar seu mandato: Roberto Requião. Quando os números lhe pareciam favoráveis, entrou em cena a máquina pública e o saco de maldades. A maior delas dizia respeito à fazenda de propriedade de Osmar, no Tocantins.

Na propaganda eleitoral, Requião alardeou que ela teria sido comprada a preço de banana. Anos depois, um despacho da então ministra do STF, Carmen Lúcia, deixou claro que a denúncia não procedida.

Osmar até recebeu um pedido de perdão do então governador. Mas era um troféu, não uma vitória.

Há mesmo, entre os que observam bem o “andar da carruagem” de Osmar Dias que ele carrega numa pasta, ao lado de outros documentos, o texto do voto de Carmen Lúcia. Para qualquer “emergência”, diz assessor do ex-senador, autor da grande revolução no campo paranaense, quando secretário de Estado da Agricultura.

3 – AOS 45 DO SEGUNDO TEMPO

Foi a eleição mais apertada da história do Paraná. Ao menos nos moldes modernos. Quando a apuração teve início, os computadores do Tribunal Regional Eleitoral registraram a vantagem de Osmar até o momento em que 98% das urnas haviam sido apuradas. A comparação com um jogo de futebol que segue até os regulamentares 45 minutos do segundo tempo é apropriada. Naquele momento, instalado na Granja Canguiri, onde havia fixado residência, Requião jogou a toalha. Escondeu-se no quarto e proibiu qualquer parcial da apuração até que ela estivesse encerrada. Só retornou quando soube que havia vencido por uma diferença de 10.434 votos, 50,1% dos votos válidos. Osmar Dias contabilizou 49,9%.

4 – CHANCES IGUAIS

Osmar disputaria ainda as eleições ao governo em 2010 contra o tucano Beto Richa. Mas desta vez, sem as mesmas chances. De volta à cena política, após um intervalo de seis anos, ele avalia que, em 2018, com Richa em fim de mandato, as chances serão as mesmas para todos. E avisa: com ou sem reeleição é pré-candidato. Que ninguém duvide disso.

5 – DILEMA DE RICHA

Enquanto os pré-candidatos ao governo do Paraná fazem seus planos, Beto Richa avalia seu futuro político. E o dilema shakespeariano, nesse caso, é outro: ficar ou não ficar até o fim do mandato. Se renunciar, em março de 2018, para disputar o Senado, abre a possibilidade para que seu irmão, Pepe Richa, e seu filho, Marcello Richa, disputem uma vaga na Câmara dos Deputados. Se ficar, fecha as portas para que a vice Cida Borghetti assuma a administração do estado e pavimente sua candidatura ao governo. O grupo que cerca o governo tem restrições a um dos cenários descritos acima. O desfecho se verá adiante. Bem ao estilo shakespeariano.

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