domingo, 22 fevereiro, 2026
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As ondas do rádio, com detalhes, fazem a vida de Wasyl

Wasyl em estúdio de rádio, na juventude...
Wasyl em estúdio de rádio, na juventude…

Bastam poucos minutos de visita ao estúdio de gravação de Wasyl Stuparik, em Curitiba, e outros tantos de contato com ele, para se compreender que se está diante do mais importante memorialista do rádio e da televisão paranaenses.

Ele é dono de um impressionante acervo – este é o termo correto – que contém até as primeiras gravações, por exemplo, de dramaturgia no rádio do país. No caso, um teatro radiofonizado apresentado em 1933 pela Rádio Clube Paranaense, AM, a antológica PRB-2.

... e filmando futebol amador
… e filmando futebol amador

2 – DOUTOR EM RÁDIO

Wasyl é um autêntico “doutor”, título a que faz jus pelo persistente e amplo acervo que foi colecionando, catalogando, analisando, e dando vida.

Tem os primórdios do rádio e televisão do Estado em fitas K-7, vinil, filmes, CDs, DVS. Para mim, uma das melhores provas do reconhecimento da obra desse ucraniano que, criança, veio da Europa com a família para Curitiba, foi a preocupação do histórico radialista Euclides Cardoso, em legar-lhe todo seu acervo de documentos sobre o rádio do Paraná.

Wasyl nasceu em 1947. Pode ser encontrado ainda no batente: filmando, gravando, fazendo vídeos.

3 – RÁDIO-TEATRO

Ator Ari Fontoura
Ator Ari Fontoura

Sua trajetória no rádio começou cedo, em 1959, quando se tornou aprendiz de operador de som da Rádio Paranaense, então aos 12 anos. Entre passagens por rádios como a Guairacá – onde fez parte da famosa greve de radialistas e jornalistas, em 1963 – a Independência e a Curitibana, trabalhou com figuras do calibre de Jair Brito, Alcides Vasconcelos, Euclydes Cardoso, Elon Garcia e Fritz Bassfeld.

Isso sem falar da “geração de ouro” da rádio dramaturgia: Wasyl conviveu ainda com atores como Ary Fontoura, Odelair Rodrigues e Lala Schneider.

A carreira de Wasyl foi feita ainda de teatro. Sonoplasta e depois diretor de produção do Teatro Guaíra, foi responsável pela divulgação nacional do célebre balé “Gisele”, que lançou a bailarina Ana Botafogo – formada na Europa, então desconhecida no Brasil.

4- NA EDUCATIVA E BALÉ

Lala Schneider
Lala Schneider

Bastante crítico, no que tem propriedade e autoridade de mais de 20 anos de profissão, Wasyl considera falha a preparação dos comunicadores sociais na faculdade. “Os estudantes se formam muitas vezes sem ter conseguido estagiar. Daí fazem mestrado e vão dar aula sem a experiência prática da profissão. Isso é um grande pecado. Acredito que a rádio educativa, a EParaná, por exemplo, teria que se dedicar a isso. Hoje em dia ela é mais uma repetidora de São Paulo”, pondera o radialista.

Para Wasyl, a escola de teatro do Guaíra, repassada à UFPR, também está sendo subaproveitada. “Infelizmente, hoje o Guaíra está sucateado. Houve uma involução, jogaram fora a escola de teatro, que foi passada para a UFPR. O Balé Guaíra está morrendo, conta com apenas um pianista para atender todas as turmas. Tiraram o balé do teatro, agora está num barracão na R. Itupava. Burocratizaram tanto o teatro que a estrutura está sendo usada por ‘aspones’. É muito triste”.

5 – CLAUDETE BARONI

Mesmo com vasto acervo radiofônico já acessível em seu site (www.oradiodoparana.com.br), Wasyl Stuparik conta que ainda há muito o que ser descoberto. “Ainda estou ouvindo tudo o que me chega as mãos, e colocando no site. Tem coisas muito raras. Esses dias, achei dois capítulos de uma novela da PRB2 gravados em 1959! Participavam Mário Vendramel como ator, Sinval Martins, Ilvo Ferro e Elaine Garcia”.

Mesmo trabalhosa, a empreitada vale a pena, diz Wasyl, quando relíquias são encontradas. “Já falecida, a atriz Claudete Baroni não tem nenhuma gravação, apenas fotos. Um dia, achei uma gravação de ‘off’ feita por ela, de uma novela. É uma coisa que nunca ninguém ouviria, a não ser esses 30 segundos do ‘off’ que ela gravou naquela época. É muito significativo achar esses 15 ou 20 segundos. É a única lembrança que temos dela falando… Isso faz valer a pena nosso trabalho, e nos deixa muito feliz”, assegura.

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