sexta-feira, 26 junho, 2026
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ARAMIS MILLARCH, MODELO DE FRANCISCO

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Aramis Millarch
Aramis Millarch

Há anos (desde seu casamento) não encontro Francisco Zicarelli Millarch, filho de Aramis e Marilena Zicarelli Millarch, casal do qual fui padrinho de casamento em cerimônia na capela da UFPR, oficiada pelo histórico padre Gustavo Pereira (mentor de políticos como José Richa, Affonso Camargo Neto, e Oscar Alves), anos 1960.

A última vez que estive com Francisco foi na mostra que ele promoveu do acervo digitalizado da coluna Aramis em O Estado do Paraná, denominada “Tabloide”.

CUIDADOS DE INFÂNCIA

Até certo ponto acompanhei a carreira de Francisco Millarch, que vi crescer no endereço da família, na Rua Visconde do Rio Branco, enorme sobrado onde o pai, Aramis, mantinha – literalmente – uma valiosa pinacoteca, ao lado de estantes e mais estantes de livros e LPs. O prédio em que fica a empresa de Francisco foi espaço do antigo endereço.

Vi Francisco sob o olhar atencioso (e amoroso) de Aramis e Marilena. E o resultado não poderia ser outro, dadas as matrizes que teve: é um empreendedor, de sólida formação cultural, parte dela expressa no mestrado obtido na Inglaterra.

ASSIM ERA O JORNALISTA

Não conheci quem, dos 1960 a 1990, tivesse tão amplo patrimônio cultural quanto Aramis, um jornalista único na cobertura de temas como a Música Popular Brasileira (MPB). Os grandes festivais de música brasileiros, realizados sobretudo em Rio e São Paulo, tinham quase que obrigatoriamente Millarch nos seus corpos de jurados.

E quero registrar: junto com os colegas Freitas Neto, Luiz Geraldo Mazza, Renato Schaitza, Hélio Puglielli – Aramis fez parte da equipe Memória Paraná, que gravou 260 depoimentos de personalidades do Paraná, anos 1970/90. Fiz parte, agradecido, desse grupo montado por Sergio Reis e Belmiro Castor para o Banco Bamerindus. Esse projeto jamais foi igualado no trabalho de recolher a memória de grandes paranaenses.

UM VERDADEIRO “DÍNAMO”

A expressão nacional que Aramis Millarch granjeou explica-se por sua capacidade de trabalho. Era um ‘dínamo’, trabalhava, dando pouco tempo ao descanso. O jornal O Estado do Paraná foi seu endereço permanente, ao lado do grande amigo Mussa José Assis.

Mas colaborava também como “free lancer” em rádios, como a Ouro Verde, e um sem número de publicações locais e nacionais. Às vezes recorria ao pseudônimo de J.Lira de Moraes com o qual poderia registrar temas os mais diversos, com especial interesse por aqueles envolvendo a história do Paraná.

A HISTÓRICA “TABLOIDE”

Marilena Millarch coom o filho Francisco, tendo Aramis, em cartaz no fundo, numa exposição de trabalhos do jornalista.
Marilena Millarch coom o filho Francisco, tendo Aramis, em cartaz no fundo, numa exposição de trabalhos do jornalista.

A propósito: a coluna “Tabloide” (na web) pode ser a grande fonte de referência não só sobre personalidades da MPB e do jazz que passassem por Curitiba, e que Aramis iria entrevistar em sua casa, sob a paciente e dedicada atenção de Marilena.

A abordagem que o jornalista fazia de cada personagem sob seu escrutínio – políticos, empresários, artistas, historiadores, intelectuais, esportistas – mostrava uma apurada sensibilidade para descobrir a chamada “outra face” de cada um.

OS PRIVILEGIADOS

Dentre os privilegiados frequentadores da casa de Aramis e Marilena foram Poty Lazzarotto e sua mulher Célia, ela ex-diretora da ONU. Eram padrinhos de Francisco.

Pelo endereço da Visconde do Rio Branco por vezes encontrei Maysa, Chico, Hermínio Belo de Carvalho, Cacá Diegues, Elizete Cardoso, Rubem Braga, Fernando Sabino, Airto Moreira, Cacilda Becker, Tônia Carreiro, Paulo Autran, Sergio Mendes, Juarez Machado, Ary Fontoura…

Aramis era um iluminado, alguém que até deve ter pressentido que morreria muito cedo (42 anos) e tratou, pois, de deixar um legado ainda não corretamente avaliado pela cidade. Curitiba lhe deve homenagens e agradecimentos.

PRÊMIO ESSO DE JORNALISMO

Aramis é alguém que tem de ter vida e ação bem documentadas, em livro ou outro canal que resguarde sua obra e sua dimensão de ser humano e jornalista.

Por último, mas não menos importante: Aramis ganhou, junto com Luiz Carlos Cunha Zanoni, um prêmio Esso de Jornalismo, tendo o mundo fantástico de Guaraqueçaba como tema, por reportagens publicadas na extinta Revista Panorama.

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