
Quando um governo toma como ação a troca de um ministro da Justiça em meio a uma crise sem precedentes, há um rumor em reação proporcional e em sentido inverso. Foi assim quando Dilma quis entronizar Lula na Casa Civil para protegê-lo na redoma do foro privilegiado. Está sendo assim agora na troca de cargos entre o paranaense Osmar Serraglio e Torquato Jardim, no que seria uma imposição do PMDB.
Com Torquato no Ministério da Justiça, dizem os peemedebistas, haveria maior chance de barrar o ímpeto da Lava-Jato. Com a manutenção de Serraglio no ministério (agora na Transparência), Rodrigo Rocha Loures garantiria o seu mandato como deputado e, por conseguinte, a proteção do foro.
MANTRA
Digo tudo isso para ecoar o mantra da dúvida sobre as certezas. Em um tempo em que as redes sociais emitem opiniões tão pétreas, é bem-vindo o ceticismo. O mesmo que Karl Marx, um homem de princípios inarredáveis, expressou ao responder à sua filha Laura sobre qual era seu princípio fundamental: “Sou um cético”.
MÃE DO DIÁLOGO
É por isso que ao ver a esquerda e a direita circularem munidas de tantas certezas, algumas teimosamente burras (as certezas), fica a sensação de que a dúvida, mãe de todo e qualquer diálogo, perdeu seu sentido. Se Marx a tinha como um princípio fundamental, seria de bom alvitre que a esquerda, que o venera, e a direita, que o respeita, ao menos como filósofo da modernidade, poderia rever seus conceitos. É o primeiro passo para que o genérico das certezas caia por terra.
