
Autor do projeto que acaba com o fim do foro privilegiado, o senador Alvaro Dias (PV-PR) disse ao jornal Folha de São Paulo, nesta sexta-feira (28), que a aprovação da medida deve fazer com que políticos envolvidos na Lava-Jato sejam julgados até o fim deste ano.
DESDE 2013
Alvaro esperou quatro anos até que seu projeto fosse votado pelo plenário do Senado. A repercussão foi imediata e deve fazer com que o nome do político paranaense ganhe maior projeção no cenário nacional.
PARAÍSO DA IMPUNIDADE
O senador diz não acreditar que o fim do foro privilegiado cause um excesso de ações contra políticos em primeira instância. Os tribunais devem distribuir as ações, o que facilitaria o trâmite. Alvaro diz que, por causa do foro privilegiado, o expediente transformou-se no paraíso da impunidade: 68% das ações dos últimos anos prescreveram. Até 2011, apenas quatro autoridades foram condenadas pelo STF. Nos últimos anos, só 0,78% das ações culminaram em condenação, o que está longe de significar prisão.
NÃO-POLÍTICOS
Citado ontem, nesta coluna, Alvaro segue em ascensão. O fato de não ter sido mencionado em qualquer investigação o credencia ainda mais. Em entrevista para o livro “Encontros do Araguaia”, com personagens de representatividade na história do Paraná, Alvaro criticou a aparição de não-políticos, que se apresentam como “salvadores da pátria” na disputa à presidência da República. É o caso do empresário Roberto Justus ou do improvável Luciano Huck. Alvaro argumenta que qualquer nome que não tenha sofrido o desgaste do cargo público, irá liderar as pesquisas em um primeiro momento. “Por isso me recuso a ser incluído em sondagens que contemplem não-políticos. É desleal”, afirma.
PRESSÃO DA OPINIÃO PÚBLICA
O fim do foro privilegiado, vale lembrar, ainda passará pelo escrutínio da Câmara dos Deputados. Alvaro, no entanto, acredita que a pressão da opinião pública a favor do projeto deve fazer com que o projeto seja aprovado sem grandes dificuldades. “Qualquer expediente protelatório terá um desgaste enorme”, diz.
