Uma das mais antigas leitoras cadastradas na BPP, Maria P.C., dizia ontem à coluna que, às vezes, “ainda sente” a presença de certas almas que outrora montaram o verdadeiro espírito que identifica a Biblioteca Pública do Paraná. E ameaça: poderá até fazer uma “chamada” dos grandes mortos da casa, no dia 3 de março, em plena festa. A memorialista quer que não esqueçam de bibliotecários que deram a vida pelos livros, de forma anônima, naquele espaço. Gente como Marcelina Dantas, Eneida Mello, Nancy Westphalen Correa, Ângelo Antonio Dallegrave, Germana Moreira, Sabina Samut, Hugo Montanari Filho, Maria de Lourdes Barbosa, Terezinha Calderari…
ALMAS DA BIBLIOTECA (2)
Dallegrave refletia, como poucos o espírito da época: no começo dos anos 1960 ele mantinha, no terceiro andar, uma sala trancada a sete chaves, bem perto do gabinete do diretor geral. O local, apelidado de “Cemitério”, guardava todos os livros e periódicos entrados no “Índex Librorum Prohibitorum” de Ângelo Dallegrave.
O critério de censura que adotava mandava para lá todos os livros supostamente ofensores da fé católica e dos chamados bons costumes.
