
Nova oportunidade para clarear o papel de Ney Braga na história do Paraná, na tomada do poder pelos militares em 1964 e na construção de um Brasil que, em que pese o sacrifício da democracia e a ascensão da ditadura, indesejável em todos os sentidos, só se revelaria aos olhos do brasileiro duas décadas depois.
Essa nova chance virá na entrevista com Oscar Alves, genro e secretário de Estado de Ney Braga em seu segundo governo, e que estará no livro “Encontros do Araguaia o Paraná segundo seus grandes construtores contemporâneos”. Trabalho do qual sou o organizador.
UM ‘TREINAMENTO’
Alves, depois genro de Ney, foi dos líderes do grupo de jovens, da JDC, Juventude Democrata Cristã, que preparou as bases de apoio popular ao nome de Ney, para a eleição de 1960.
Braga, que fora prefeito de Curitiba, era coronel do Exército Brasileiro e longe de qualquer conspiração que possa se aventar.
Eleito, para surpresa dele e dos próprios jovens de então, como Oscar, Braga tomou posse em 1961 como governador. No mesmo ano em que Jânio Quadros assumiria a presidência da República, em Brasília, para o que seria uma curta passagem.
Oscar, na entrevista, poderá tirar dúvidas históricas: uma delas, se Ney trabalhou para que Jânio Quadros retornasse à Presidência ou não.
CONSPIRADOR OU LEGALISTA?
Ney Braga participou de uma conspiração para que o regime militar se instalasse a partir de 1962? Ítalo Conti, ex-secretário de Segurança Pública, diz que sim. Mas há historiadores que afirmam o contrário. Ney Braga só aderiu na véspera do golpe militar, em 30 de março de 1961. Não antes. Era um legalista, segundo o jornalista Adherbal Fortes, que escreveu uma biografia sobre ele, e só se juntou aos militares quando a queda de João Goulart pareceu irreversível.
DEMOCRACIA OU DITADURA DO PROLETARIADO?
Era um período de acirramento da “guerra fria”. A América Latina era vista como uma região frágil ao canto da sereia stalinista e, até prova em contrário, havia sempre um comunista debaixo da cama. Ney Braga sabia de tudo isso. Por isso nunca se submeteu à “linha dura” do Exército. Foi um castelista porque achava que Castelo Branco devolveria o governo aos civis após seu mandato de quatro anos.
Depois tornou-se um seguidor de Geisel pelos mesmos motivos.
CARIMBO DE SUBVERSIVO
Tal era sua inclinação que Oscar Alves, o personagem do livro “Encontros do Araguaia”, se viu enredado em uma acusação de subversão em Inquérito Policial Militar. Há uma pasta do Dops, disponível no Arquivo Público do Paraná, que corrobora essa afirmação.
Há mais. O ex-promotor da Justiça Militar de Curitiba, Mansur Theóphilo Mansur, afirma em entrevista para a edição número 9 do meu livro “Vozes do Paraná, retratos de paranaenses”, a ser lançado em 11 de agosto, que Ney Braga foi denunciado por autorizar publicidade do governo no jornal “Última Hora” do Paraná, que fazia oposição ao governo militar.
CARIMBO (2)
Ney foi denunciado e seria cassado, não fosse a intervenção do procurador-geral da República, que tratou de sumir com todo o processo.
Mansur tem cópia e diz que o antigo SNI também teria.
São questões relevantes da história do Paraná trazidas à tona e que Oscar Alves abordará com os jornalistas políticos Fábio Campana, Celso Nascimento, dos advogados Clèmerson Clève e Lúcio Glomb, deste jornalista e do editor Marcus Vinicius Gomes.
