
A exaustiva sabatina (12 horas) a que respondeu na Comissão de Constituição e Justiça do Senado revelou ao Brasil – excluídos os estudiosos do Direito, que já o conheciam muito bem, e um restrito mundo de bem informados – a dimensão impressionante da formação jurídica e moral de Luiz Fachin.
Impossível alguém pegá-lo em contradição, ou que suas respostas não tivessem sido claras, trabalhadas com todos os elementos da verdade para convencer eventuais “renitentes”, de que o Brasil pode ter um dos mais importantes ministros do Supremo.
Nada abalou Fachin, que foi, com a humildade que o caracteriza, desmontando dúvidas a partir de respostas claras e seguras. Uma delas, a de que nunca pertenceu a partidos políticos, embora tenha recebido de Euclides Scalco, ficha com convite para que entrasse no antigo MDB. O que não consumou.
COM RESPOSTAS CLARAS…
Não fugiu de nenhuma indagação com subterfúgios, mas enfrentou com segurança aquelas partidas de senadores mais claramente indispostos com seu nome, como Caiado, Malta e Ferraço.
Também não tergiversou sobre suas crenças cristãs: é a favor da vida, contra o aborto, embora considerando existirem situações dolorosas nesse capítulo, como as de jovens submetidas a aborto, sob risco de vida.
SEM DEIXAR DÚVIDAS…
Caiado deveria ter ficado satisfeito: Fachin fez uma profissão de fé no direito de propriedade produtiva e disse, com todas as letras, não apoiar movimentos sociais que apelem à violência. Maior clareza, impossível. Uma resposta aos que fazem campanha contra o jurista paranaense “que nem sabem do que estão falando”, como diz o presidente do Instituto dos Advogados do Paraná, José Lúcio Glomb.
Quanto a argumentos correntes em redes sociais, de que Fachin seria petista, a acusação não procede. Embora, acredito, nada impedisse de Fachin ter tido filiação partidária: afinal, grandes ministros do STF, como Aliomar Baleeiros e Paulo Brossard de Souza Pinto tivessem sido, respectivamente, udenista e peemedebista militantes?
MAS DEPENDENDO DE RENAN
Quem, como eu, acompanhou a sabatina, confirmou o que já sabia, ou ficou conhecendo um brasileiro de excepcional formação, com notável biografia e alma cidadã. O encontro consolidou em espíritos desarmados e bem-intencionados uma certeza: Fachin pertence ao raro universo de brasileiros de grande estatura moral e cultural.
O lamentável é o país constatar que o “calvário” de Fachin não terminou.
Pois esse cidadão ‘para todas as estações’, agora fica na dependência dos humores de um dos piores exemplos de homem público que o Brasil já revelou, Renan Calheiros, indiciado na “LavaJato”, e dono de um passado que só não o levou à cadeia porque ainda tem imunidade de mandato parlamentar.
Renan forma, com Eduardo Cunha, presidente da Câmara, um dos piores exemplos de politiqueiros dos quais o Brasil precisa se livrar. Até para que não sejamos vítimas, de novo, de radicalismos de uma esquerda bolivariana, ou petista radical, nem da “doença” de um direitismo inaceitável e incompatível com democracia.

