
Foi graças à ditadura brasileira, nos idos de Geisel, que Osmar Dias acabou se concentrando na sua mais forte identidade, a política agropecuária. E com ela, firmando a enorme liderança política no Paraná a partir de ações que o notabilizariam, como a da preservação dos solos, a direção da Escola de Agronomia de Bandeirantes, a presidência da companhia de fomento agropecuário estadual, CAFE do Paraná, e a Secretaria de Agricultura do Estado.
Ele atribui a benéfica guinada daqueles dias de suinocultor a um gesto de seu irmão – sua grande admiração política – Álvaro Dias, que um dia, clamando contra a peste suína africana, contestou-a, dizendo: “O que existe no Brasil é a peste Geisel”.
A declaração quase gerou uma guerra civil…
IRA DO GENERAL
O discurso do hoje senador expôs a quanto chegaria a ira de Geisel: horas depois, militares do Exército invadiriam a fazenda onde Osmar se dedicava, no Norte do Estado, à criação de suínos. Toda a criação, milhares de cabeças, foi eliminada pelos militares de uma só sentada.
Pura retaliação equivocada: a intenção era punir Álvaro, mas erro de endereço levou os repressores ao irmão Osmar.
– Tive de deixar a fazenda, não tinha outra alternativa, explica o homem que por 16 anos foi senador do Paraná em Brasília, por duas vezes concorreu ao governo do Estado, e nos últimos 11 anos foi vice-presidente do Banco do Brasil, tendo ocupado, em situações diversas, pelo menos 8 delas.
EDUCADOR
O suinocultor iria dar lugar, em seguida, ao diretor e professor da Escola de Agronomia Luiz Meneguel, de Bandeirantes, na qual promoveu uma revolução, equipando material e de quadros humanos a escola que se tornaria modelar no Norte do Paraná.
Osmar tinha compromisso moral de batalhar por novos horizontes daquele curso superior em que entrara em vestibular conquistando o primeiro lugar, e no qual se formara agrônomo também como primeiro lugar da turma.
ÁLVARO APOIA
O futuro, para esse homem objetivo, sólido defensor do mais forte segmento da economia brasileira – o agronegócio -, vai incluir “obrigatoriamente” a disputa pelo Governo do Paraná em 2018. Disso não abre mão. Conta “com o apoio irrestrito de Álvaro”, me garante. Eles, os irmãos, jamais se confrontariam numa eleição, até como decorrência de compromisso assumido com o pai, veneração comum dos dois homens públicos.
IMBATÍVEL
O prestígio de Álvaro Dias no Paraná de hoje é tão grande que soa como dogma o entendimento seguinte, repetido por quem é mestre em previsões políticas: “Se Álvaro viesse a concorrer em 2018 a governador, seria imbatível. Imbatível”. Um dos que assinam em cima da afirmativa, sem pestanejar, é Fábio Campana, um faro fino para os ventos eleitorais paranaenses Álvaro, todos sabem – e ele mesmo repete exaustivamente essa decisão – quer mesmo é buscar a Presidência da República em 2018. De preferência pelo PV, seu atual partido.
Só não se sabe se o Partido Verde sobreviverá à reforma partidária que vem por aí, e que poderá reduzir o atual painel de siglas a apenas meia dúzia de partidos.
DEPOIS DO CARNAVAL
Alguém que se impôs como técnico profundamente arraigado com o campo – parte essencial da alma paranaense -, Osmar pertence a um seleto e restrito grupo de homens públicos cuja vida pode ser classificada de “livro aberto”. É ficha limpa por excelência, reconhecem até opositores.
Fazendeiro forte, dono de terras em Tocantins e Norte do Paraná, nascido e criado sob o signo da agropecuária, sob as bênçãos e as ordens de seu Sílvio, seu pai (in memoriam), rico pioneiro de Maringá, pode ser encontrado em Curitiba em seu escritório numa bucólica rua do Alto da Glória. Ali o acompanham, e o assessoram, dois amigos, técnicos que conhecem o pensamento, a vida, a obra de Osmar.
NOVA IMAGEM
Quando o encontro, na quarta, 30-11, para uma entrevista para o meu livro “Vozes do Paraná 9”, acompanhado da jornalista Marleth Silva, deparo-me com um sessentão com ares de cinquentão, bem-disposto:
– “A barca é branca, o cabelo grisalho. Não é pintado. Não é ‘transgênico’, como querem alguns adversários”, vai explicando com bom humor. Sorri sem exageros. Nada a ver com a imagem que por anos foi sendo passada de Osmar, de ser ele alguém com cara de poucos amigos.
BARREIRAS PARTIDÁRIAS
Não foge de perguntas sobre seus planos eleitorais:
– Com quem farei alianças? Por ora é cedo. Para depois do Carnaval decidirei alianças, explica o hoje presidente do PDT estadual.
Ele e o irmão Álvaro, nada neófitos em lides políticas, sabem que tanto o PV quanto o PDT são siglas que até poderão não sobreviver à reforma eleitoral. E que também podem ser consideradas “difíceis” para amplos segmentos do eleitorado: o PV por radicalismo das teses ecológicas; o PDT por ter herdado dirigentes difíceis de deglutir em plano nacional, e sua falta de compromisso como com as teses do agrobusiness.
Mas ninguém duvida que essas poderão ser, apenas, dificuldades passageiras para os calejados irmãos Dias.
(PROSSEGUIRÁ)
