sábado, 25 abril, 2026
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Bom discurso revivido

Ernani Buchmann, Nilson Monteiro, Darci Piana, Paulo Venturelli
Ernani Buchmann, Nilson Monteiro, Darci Piana, Paulo Venturelli

Pertenço a uma geração que conheceu, conviveu e ouviu grandes oradores, tribunos insuperáveis. Uma benção.

Na vida paranaense, dois deles me marcaram muito: Laertes Munhoz, advogado, mestre da retórica, e padre Jesus Flor, que se ouviu muitas vezes na Catedral Metropolitana de Curitiba, entre 1953 a 55, pregando o Evangelho com amor e ardor.

Laertes deixou marcas fortes e fez escola, especialmente entre advogados e alunos da UFPR; o sacerdote, de origem nordestina, fez passagem efêmera em Curitiba, foi para o Norte do Paraná, mas aqui passou tempo suficiente para indicar a padres que pregar é uma arte, e que Montalverne continuava paradigma para o púlpito. Acho, no entanto, que pregou mais ou menos no deserto, entre nós.

PAULO BROSSARD

Paulo Brossard de Souza Pinto, no parlamento nacional, foi outro orador que me mesmerizou. Tinha nas palavras a assinatura dos mestres clássicos da retórica gerada pelos gregos e ampliada pelos romanos.

Brossard era “um antigo” no que a palavra tem de melhor. E como “castigava” os costumes com as palavras!

COLETÂNEA

Na sexta-feira, 30, recebi “A Voz da Pelerine”, livro que contém os discursos proferidos por Ernani Buchmann na Academia Paranaense de Letras desde 2005, quando ele se tornou “imortal” da APL.

Os discursos saúdam novos acadêmicos, como Darci Piana, Adherbal Fortes de Sá Junior, Nilson Monteiro, Antonio Carlos Carneiro Neto, Maria José Justino, Paulo Venturelli…

Por dever de justiça – muito mais do que por amizade ao ativíssimo Ernani – sou obrigado a registrar: o livro é preciosidade da estante paranaense.

Tendo ouvido Ernani discursar em algumas das falas registradas no citado volume, sinto dupla satisfação em lendo-as agora.

Esclareço: policio-me muito para deixar a amizade por Ernani confundir-se com admiração crítica.

LUPA ESPIRITUAL

Assim, o livro-resumo “A Voz da Pelerine” me leva a um passado recente em que anotei cada entonação e acento do discurso de Buchmann, dito com propriedade, emoção e – a cima de tudo – com uma certa lupa espiritual a decifrar momentos e peculiaridades de seus homenageados.

O domínio do mundo imediato dos personagens centrais de sua fala é verdade absoluta. Mais que isso: Ernani trabalha, ao mesmo tempo, a História que foi identificando momentos salientes desses “imortais” que, com Ernani, ganham novas feições de eternidade.

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