Luiz Manfredini, jornalista que foi personagem de meu livro “Vozes do Paraná, volume 7” -, amigo de dezenas de anos, mantém-se o mesmo de sempre: um ser educado e homem de metas certas. Dentre elas, a fidelidade à sua visão socialista.
Na noite de quarta, 14, fui à sessão de lançamento de seu romance histórico “Retrato no Entardecer de agosto”, no Palacete dos Leão, em Curitiba.
Manfredini tem um público fiel, amigos e admiradores que o acompanham há anos. E que não faltam aos lançamentos de seus livros. O de agora mergulha na proposta do Dr. Jean Faivre (pronuncia-se Févre), o socialista utópico que fundou a Colônia Thereza, no Vale do Ivaí, na metade do século 19.
O vale era um sertão só, o fim do mundo.
FAIVRE: UTOPIA QUE VALEU (2)
Estou começando a ler o livro, e previamente preparado para um tempo de convivência com a proposta de Faivre, de vida frugal, sistema cooperativo de trabalho, desapego da “ânsia” do lucro e indicadora de caminhos rumo a uma vida simples aos que aceitaram o seu desafio.
Os paranaenses, de modo geral, e os curitibanos de forma particular, associam Dr. Faivre à rua que leva seu nome em Curitiba, além de uma vaga referência – na escola – à experiência do Ivaí.
Claro que uma elite pensante e alimentada por interesses culturais, sabe bem quem foi esse francês e sua importância histórica.
FAIVRE: UTOPIA QUE VALEU (3)
A propósito: recomendo a leitura atenta à apresentação do romance de Manfredini feita por Hamilton Faria. Trata-se de uma boa lição sobre Faivre, em linguagem inteligente, didática e na medida certa. Ajuda muito a entender as pinceladas que Manfredini confere, o romance, àquela realidade catequética utópica.
Hamilton Faria, poeta, pertence à chamada “Geração do Mimeógrafo”, que englobou poetas como Reinoldo Atem e Raimundo Caruso, dentre outros, nos anos 1970.

