sexta-feira, 24 abril, 2026
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Tereza Urban, revolucionária e ecologista, vai ganhar biografia

Tereza Urban e dom Pedro Fedalto
Tereza Urban e dom Pedro Fedalto

Talvez em 2017, teremos o primeiro livro biográfico de uma das mulheres que mais marcaram o Paraná no século 20 por sua militância política revolucionária de esquerda, Tereza Urban, que foi minha personagem em “Vozes do Paraná – volume 1”.

Quem está iniciando a pesquisa com vistas ao livro é a jornalista Liliana Lavoratti, 54, que as novas gerações pouco conhecem. Ela tem autoridade redobrada: foi uma espécie de afilhada da ecologista, jornalista de profissão, marxista convicta e militante política condenada por mero delito de opinião nos anos 1980.

QUEM É ELA

Liliana Lavoratti, em Curitiba: visitando o Parque Tanguá
Liliana Lavoratti, em Curitiba: visitando o Parque Tanguá

A guisa de introdução:

Liliana Lavoratti tem um currículo de militância na imprensa nacional como poucos outros profissionais paranaenses podem exibir. Começou, logo depois de formada, atuando em Cascavel e pequenos veículos de comunicação do Oeste e Sudoeste do Paraná.

Em Curitiba, por indicação de Bernardo Bittencourt e Liones Rocha (in memoriam), nos anos 80s, passou a atuar como repórter no jornal Indústria & Comércio, onde – na minha avaliação – desabrochou plenamente. Tive o privilégio de acolhê-la e apoiá-la nos primeiros passos na imprensa da chamada cidade grande.

Curitiba daqueles dias logo se mostrou limitada para tanto potencial e ambição profissional que existiam em Lavoratti.

LUZ PRÓPRIA

Liliana logo ganharia luz muito própria, e passou por uma sucessão de grandes jornais da imprensa brasileira – O Estadão, Jornal do Brasília, Folha de São Paulo -, por anos, atuando em SP e Brasília.

Suas matérias, sempre assinadas, não se limitavam mais à Economia. A Política e seu mundo intrincado, a partir da sede do poder, Brasília, ganharam também muito com a ótica de Liliana.

A jornalista paranaense é hoje membro do Conselho Editorial do Diário Comércio Indústria & Serviços, DCI, de São Paulo, publicação com 45 anos de vida, pertencente ao Grupo Orestes Quércia.

É também a editora da primeira página do veículo paulistano que vai resistindo galhardamente às crises da imprensa e do Brasil, de um modo geral.

Na semana passada, reencontrei a amiga Liliana, uma cabeça brilhantemente privilegiada, alma cem por cento jornalística. Ela veio a Curitiba para dar o “start” ao trabalho em que empenhará boa parte de seus dias, e com recursos absolutamente próprios – o livro.

TEREZA ÚNICA

Liliana não se deixa mover pelo coração, pela enorme amizade e admiração que nutria por Tereza e seus filhos, Lupe e Gunther – um geneticista e outro economista.

Ela começou no final da semana passada a mergulhar no mundo imediato de Tereza, ouvindo o filho, o mais próximo auxiliar, braço direito da ecologista em grandes empreitadas. A mais notória delas, acho, foi a Rede Verde, um amplo e bem coordenado trabalho de comunicação, informação e orientação ecológicas, utilizando a web.

Na agenda de Liliana estão ainda anotações para ouvir alguns nomes muito conhecidos da cidade, donos de possíveis relatos preciosos sobre Tereza – “A Caçadora de Florestas no Paraíso Perdido”, como a chamei no meu perfil sobre ela em Vozes do Paraná.

AS FONTES

Uma das primeiras fontes que ouviria – observei em sua agenda – seria a jornalista Elza de Oliveira Filha, professora da UFPR, assim como antigos colegas de faculdades de Urban, como Celso Nascimento, Walter Schmidt e Luiz Julio Zaruch.

E sem esquecer de um dos depositários de grandes testemunhos sobre Tereza Urban, o fotógrafo João Urban, irmão dela. Os dois são autores de um dos mais importantes momentos da Etnografia paranaense, com o livro (fotos de João), “Tu I Tam”, apanhado da vida de descendentes de imigrantes poloneses em General Carneiro e Cruz Machado.

COM O ARCEBISPO

O trabalho de Liliana (o livro ainda não tem nome) será amplo, “quero esgotar as melhores fontes sobre Tereza”, diz Liliana. Por isso, um nome está na lista da biógrafa: dom Pedro Fedalto, 90 anos, que teve importância na vida da ecologista. Foi ele quem conseguiu que condenada pela famigerada Lei de Segurança Nacional, Tereza a cumprisse num convento de freiras polonesas em Curitiba dois anos e meio de prisão.

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