“Fiquei revoltada! Inimaginável que seres humanos tenham feito isso com bichinhos de estimação. Afinal, eles são partes essenciais de nossas vidas, acompanham-nos fielmente, da nossa infância à velhice. Do berço ao túmulo. Muitas vezes são mais carinhosos e fieis que muitos humanos”.
Com esta expressão, Maria Victoria, 23, candidata a prefeita de Curitiba pelo PP, se manifestou ontem (22), a este espaço, a propósito das informações oficiais – Serviço de Monitoramento dos Animais – da Prefeitura de Curitiba, sobre o morticínio de 60 mil cães e gatos que teria sido realizado pela administração do ex-prefeito Rafael Greca de Macedo.
A realidade dos números foi classificada por Maria Victoria como “impressionante”, ao mesmo tempo em que acarinhava cadelinha “Geli”, 6 anos, sua fiel companheira, uma “lulu”:
– A notícia me revoltou o estômago. E até agora não soube de qualquer contestação aos números que, em princípio, são mesmos difíceis de serem respondidos, sublinhou, para dizer:
– Minha plataforma de candidata à Prefeitura de Curitiba contempla a criação de um Hospital Veterinário para atender a esses bichinhos, partes das vidas de milhares e milhares de famílias curitibanas de todos os estratos sociais. E junto com o Hospital vamos reforçar os serviços municipais de apoio veterinário à cidade.
CRECHES
Preocupada, pois, com a vida animal – especialmente a dos bichos de estimação – Maria Victoria garante que apenas ela e a candidata do Solidariedade à Prefeitura têm a proposta de criação do Hospital Veterinário. Admite que, até, poderão as duas fazer alguma pregação conjunta em torno da causa que sensibiliza muito a alma do curitibano.
“Os bichos são importantes. Mas a vida das crianças nos preocupa muito, especialmente aquelas que dependem de creches. Hoje há em Curitiba 9000 crianças à espera de vagas nas creches municipais…”
Como a candidata pretende enfrentar essa demanda por vagas em creches?
Ela responde:
– “Faz parte de meu programa de ação não apenas a construção de novas unidades. Quero colocar a criatividade a serviço dessa ação essencial, ampliando e fazendo adaptações de espaços nas atuais creches”.
“O que me inquieta é que, por pura implicância, estejam querendo queimar uma vocação. Oferecem-lhe o limbo como caminho, ela que fique quieta, alienada, não se manifeste politicamente.
Assim agindo, estão esquecendo a velha definição judaico-cristã, de que o fruto se conhece pela a árvore.”
Para Maria Victoria, a grande novidade, e com enorme capacidade de mobilização do mundo universitário, será “levar para dentro das creches o entusiasmo, o trabalho e a criatividade dos jovens estudantes de universidades públicas e particulares”.
Essa mobilização ela pretende materializar convocando para trabalhos – em tempo parcial e na qualidade de estagiários – estudantes de Nutrição, Pedagogia, Enfermagem, Fisioterapia, Foniatria, dentre outras áreas.
“CORUJINHA”
Inquieta nas intenções de “mexer” com áreas de marasmo da cidade, mas absolutamente tranquila no apresentar seus pontos de vista, Maria Victoria tem ainda metas bem claras no âmbito da infância e família:
– Nosso programa contempla ações conjuntas em favor da infância e família, especialmente olhando as populações carentes, as que mais demandam a presença do poder público nesse âmbito.
E é por isso, e pensando especialmente nas mães que trabalham à noite – um número apreciável, sobretudo, em grandes indústrias – que vamos criar as chamadas Creches 24 horas, ou “Corujinhas”. Tal como as já existentes em Maringá.
INGLÊS NA ESCOLA
Outro dos alvos de Maria Victoria será a introdução do idioma inglês nas escolas do Município de Curitiba: “Afinal, como não preparar as crianças para a realidade da globalização, de um mundo que vai se tornando pequeno e se comunica basicamente em inglês?”, questiona.
JAIME LERNER
A candidata Maria Victoria ressalta muito o espírito de criatividade que caracteriza o urbanista Jaime Lerner, sua grande admiração. Admite mesmo receber algumas orientações, por ela pedidas, vindas do ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná.
“Lerner é um nome acatado internacionalmente. Lembram-se de quando ele foi apontado como um dos líderes do século pela revista ‘Time’?”, indaga, para citar, a seguir, pontos salientes das propostas que como candidata tem para a questão da mobilidade urbana:
– O VLT, o Veículo Leve sobre Trilhos, é a solução para mobilidade urbana em Curitiba. Não é o metrô.
NAS CANALETAS
De todos os pontos da mobilidade urbana mais urgentes, com urgência urgentíssima, Maria Victoria aponta o chamado Projeto Tag: envolve a comunicação do motorista de ônibus das canaletas exclusivas com os semáforos, liberando o fluxo de trânsito.
Hoje o emperramento do trânsito teria chegado a realidades inadmissíveis. Um ônibus, que antes percorria 27 quilômetros/hora, hoje não consegue fazer o mesmo percurso além de 14 quilômetros/hora.
A advertência de Maria Victoria sobre esse problema – a lerdeza dos ônibus expressos – é uma das muitas que ela promete enfrentar se eleita prefeita de Curitiba. Pois, afinal, o uso do transporte coletivo é o de que se socorrem 74% da população.
BRT em Curitiba, Jaime Lerner e o VLT no Rio de Janeiro, que pode vir para cá
O “PECADO” DA CANDIDATA
Já vi muita coisa nesse mundo político paranaense. Algumas até do arco da velha, indeclináveis. Eu as guardo sob o sigilo profissional, direito constitucional a que recorro.
Afinal, até me lembro vivamente de bons momentos da administração Munhoz da Rocha, anos 1950. E das pelejas entre Ney e Lupion.
A partir do começo dos 1960, meu olhar de jornalista foi acompanhando o surgimento e consolidação de lideranças como Ney Braga, Paulo Pimentel, Álvaro Dias, Requião, Jaime Lerner, José Richa, Beto Richa; e a queda fenomenal de, pelo menos, uma: Haroldo Leon Perez, epifenômeno, substituído, no Governo, por um misto de santo e técnico, professor Parigot de Souza.
Agora, refeito de muitos sustos e surpresas que tive ao longo de 54 anos, tenho todo direito de achar que, com Maria Victoria, está nascendo uma estrela. Com fulgor especial, assim como nasceram outros políticos frutos de lideranças da vida pública local, como Bento, Affonso Camargo, no passado; e recentemente, Gustavo, filho de Maurício Fruet; Requião Filho, filho de Roberto; Beto Richa, filho de José… Maria Victoria encarna, como vi em poucos, a gana por servir à causa pública; está bem formada do ponto de vista acadêmico; não é turista na vida; preparou-se em missões humanitárias na África assim como estudou hotelaria em escola requintada da Suíça (e por quê não? É ficha limpíssima.
A moça faz como Paulo de Tarso, ‘o apóstolo das gentes’ que ia recolher aos pés de Gamaliel, o sábio, conhecimentos com que depois rechearia suas epístolas, ouvindo conselhos prudentes.
Ela recorre à sabedoria de gente como Jaime Lerner, mostrando-se contrita ouvinte. E também recolhe opiniões de todos os que trazem a ela suas contribuições sobre a arte da Política, e das causas públicas.
A tudo recolhe com aguçado espírito crítico.
Assim, tenho motivos para me sentir irreconciliável com certos tipos de seres humanos nos quais vejo vetarem novos valores por puro preconceito.
Uns, contra a juventude; outros – o que é tão lastimável quanto – por maldizerem raízes familiares. Afinal, proclamam esses raquíticos avaliadores do próximo, que Maria Victoria ‘é muito jovem’ tem ‘uma mãe vice-governadora e um pai ministro de Estado’. Eu digo mais: é neta de Silvio Barros, que foi símbolo de homem público, nos 1970/80, em Maringá.
Esse seria o “pecado” da candidata, se dermos ouvidos às harpias de plantão.
O que me inquieta é que, por pura implicância, estejam querendo queimar uma vocação. Oferecem-lhe o limbo como caminho, ela que fique quieta, alienada, não se manifeste politicamente.
Assim agindo, estão esquecendo a velha definição judaico-cristã, de que o fruto se conhece pela a árvore.
Cida Borghetti e Ricardo Barros
A árvore de Maria Victoria está localizada em Cida Borghetti e Ricardo Barros.
Na minha opinião, dois cidadãos com um exemplar portfólio na vida pública brasileira.
Acho que ainda sobra espaço para mais qualificar esses demolidores de vocações: eles me parecem afetados pela doença mortal da invidia, do verbo invidiar. Invejar.
O verbo pode até ser pouco usado, mas é português, corretíssimo. Para acompanhá-lo sugiro aos homens e mulheres de bem recorram ao verbo deletar, que é latino. Esquecer, um verbo ‘popularizado’ com o “delete” da Internet.
Apaguem-se, pois, as invídias, pois a caravana vai passar, agora ou logo mais adiante. É só uma questão de tempo. Disso tenho certeza, eu que já vi muito no mundo do Paraná.