Agência DW
O dalai-lama é o líder espiritual supremo da escola Gelug (Chapéu Amarelo), a mais nova e mais dominante do budismo tibetano. O título é transmitido por reencarnação: seu portador é o sucessor de uma linha de tulkus, sucessores de Avalokiteśvara, bodisatva (ser iluminado) da compaixão, que optaram por reencarnar para esclarecer a humanidade.
Dalai significa oceano ou grande em mongol, e lama vem de bla-ma, que significa mestre ou guru em tibetano. Traduzível como “Oceano de Sabedoria”, o título foi conferido pela primeira vez em 1578, postumamente, a Gendun Drup (1391–1474), passando desde então a cada sucessor.
Após a morte de um dalai-lama, um comitê de altos lamas inicia uma investigação para descobrir sua nova reencarnação. Eles procuram se, em cartas, se o tulku deixou alguma indicação onde pretende renascer. Os amigos mais próximos também devem recordar tudo o que ele disse em seus últimos dias, à busca de pistas.
Outros métodos incluem análise de sonhos dos lamas e sinais divinos – como um arco-íris guiando o grupo de busca até a criança eleita. Então, os discípulos do antecessor a submetem a treinamento espiritual num mosteiro, com estudos intensos, iniciamento em rituais complexos e disciplina rigorosa, embora contrabalançados por “amor incondicional”.
Observadores ocidentais relatam sobre a notável placidez dos jovens tulkus, seu olhar concentrado e a capacidade de ficar sentados quietos, sem a natural agitação infantil, mesmo ao longo de cerimônias que duram um dia todo.

Líder cultuado, mas controverso
Em 2013, numa consulta ampla nos EUA e cinco países europeus, o atual dalai-lama foi indicado como líder mundial mais popular, empatado com o então presidente americano, Barack Obama.
A vida pública do líder religioso tem sido também marcada por incidentes controversos. Em 2018, numa conferência na Suécia, declarou que “a Europa pertence aos europeus”, e que, apesar do dever de receber, ajudar e educar os refugiados, no fim eles deveriam voltar a seus países de origem.
No ano seguinte, falando a um jornal indiano, o dalai-lama indicou que provavelmente reencarnará na Índia, e advertiu que nenhuma interferência de Pequim em sua sucessão deve ser considerada válida. Em entrevista à BBC, contudo, comentou que “se uma dalai-lama feminina vier, ela deve ser mais atraente”, pois se tivesse “uma certa aparência”, as pessoas vão preferir “não olhar para aquele rosto”.
Em outubro de 2020, afirmou não apoiar a independência do Tibete, e que esperava um dia visitar a China como ganhador do Prêmio Nobel. “Eu prefiro o conceito de ‘república’ da República Popular da China. Nesse conceito, minorias como tibetanos, mongóis, manchus e uigures de Xinjiang, podemos viver em harmonia”, teria declarado à emissora RFA.
Em abril de 2023, a divulgação de um vídeo gravado em fevereiro no norte da Índia causou escândalo, ao mostrar o dalai-lama beijando um menino nos lábios e depois pedindo que lhe chupasse a língua. Após a revelação, o líder espiritual pediu desculpas em comunicado, alegando que “muitas vezes provoca aqueles que encontra, de um modo inocente e brincalhão, mesmo em público e diante de câmeras”.