quarta-feira, 22 abril, 2026
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A poltrona “Duo”, de Lerner, em exposição só até dia 2

Cadeira Duo, de Lerner, no Pateo Batel (em duas posições)
Cadeira Duo, de Lerner, no Pateo Batel (em duas posições)

Líder da grande transformação urbanística que colocou Curitiba como uma das maiores referências positivas em planejamento arquitetônico e mobilidade no Brasil (e projetou-se mundo afora), Jaime Lerner está com sua primeira peça de mobiliário, exposta desde 19 deste mês no Pátio Batel.

Lerner é mesmo um inquieto criador. E agora, com a poltrona “Duo”, lançada pelo selo Viés, traz a linguagem do mobiliário urbano. É uma referência a sua grande escola das ruas – e tira partido da plasticidade das formas conquistadas pelo manuseio da chapa de aço puro.

A Duo não apresenta parafusos, só dobraduras certeiras; e tem como resultado, segundo Lerner, o balanço necessário e o desenho limpo. Tudo “livre de fressuras”, como gosta de frisar.

Sobre o modernismo, movimento que lidera as criações do grupo que se reuniu para a criação do Viés, Lerner gosta de ressaltar a visão integrada de arquitetura, música e literatura dos entusiastas desta marcante fase.

O QUE É O VIÉS

Ilana Lerner
Ilana Lerner

O modernismo, estilo apontado por muitos como o embrião da identidade do design nacional, foi o anfitrião de um novo projeto no mercado nacional.

De um lado, as formas puras, criadas por ícones criativos das décadas de 50 e 60, que contavam com os recursos nem sempre suficientes da indústria moveleira nacional, ainda em seus primeiros passos. Do outro, uma geração que poderia contar exclusivamente com tecnologia a serviço do móvel, mas que não abre mão da poesia. Juntos sob o “mesmo teto” nasceu o Projeto Viés, selo para venda de mobiliário assinado, catalogado e carregado de histórias.

A ESTRÉIA

A sua estreia no mercado nacional foi no ano de 2015, na Way Design Casa Shopping, no Rio de Janeiro, passando pela Casiere em Porto Alegre (RS), na Terrasse em Teresina (PI), na Home Design em Salvador (BA), na Stampa em Vitória (ES), na Casa Pronta em Recife (PE) e no Espaço Fátima Lima em São Luiz (MA). O Projeto Viés apresentou a sua primeira série de peças de premiados designers nacionais contemporâneos, como o carioca Zanini de Zanini, o paranaense Ronald Scliar Sasson e o pernambucano Flavio Franco.

Do outro lado do “viés”, representantes da história do mobiliário brasileiro da década de 50 e 60, como os cariocas José Zanini Caldas (in memorian) e Aida Boal (in memorian) integram os trabalhos apresentados.

Jaime Lerner, participante do projeto desde o embrião, lançou agora sua primeira peça autoral de sua carreira pelo selo.

FÁBRICAS BRASILEIRAS

Todo o mobiliário exclusivo do selo é produzido a cada coleção por fábricas brasileiras. Além de exposições dos móveis e seus conceitos, todas as peças estão sendo comercializadas em lojas especializadas em design assinado, no Brasil.

Uma pena é que a poltrona de Lerner só fique exposta até dia 2 de agosto, terça-feira próxima. Anote o local: shopping Pátio Batel, piso L2, em frente a Drogaria Iguatemi.

*** Após a exposição às peças do Projeto Viés serão comercializadas pela loja Ton Sur Ton, em Curitiba. Contatos podem ser feitos com Ilana Lerner, filha de Jaime, (041) 2141 0700.

COMBINAÇÕES

“Sempre fui a favor do desenho como combinação de simplicidade e imperfeição, sem dogmas. A exemplo do meu trabalho como arquiteto e nas cidades, nunca cultivo excessos. A simplicidade é que precisa ser impactante”, diz Lerner.

Para o arquiteto e urbanista de expressão internacional, “O que une o design de hoje ao criado nas décadas de 50 e 60 é o calor, o uso continuo da madeira. O aspecto que tento trazer das peças dos anos 50 para minhas criações contemporâneas é a elegância, a delicadeza. Mas também foi um caminho natural e de muita sorte, por ter vivenciado, desde pequeno, grandes nomes trabalhando.”

E finaliza: “Tudo isso faz com que eu tenha sensibilidade, um aprofundamento que cresceu com o convívio com o Sergio Rodrigues, durante o período que estive aprendendo em seu ateliê.

Com o Viés, vamos tentar apresentar uma linha de raciocínio, confrontar os trabalhos que têm brasilidade em diferentes momentos, como o Zanini Caldas, nos anos 50, e o Ronald Scliar Sasson e o Flavio Franco, na década de 90. Sempre reforçando o contraste de diferentes regiões dessa imensidão que é o Brasil”.

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