
Na segunda-feira, 18, completou 62 anos de fundação uma das mais consistentes (e eficientes) obras sociais de Curitiba, a Casa dos Pobres São João Batista (ou Albergue São João Batista, seu primitivo nome), que funciona, desde que foi criado pelo ferroviário Januário, na Rua Piquiri esquina de Brasílio Itiberê, no Rebouças, Curitiba.

A comemoração da data vai acontecer dia 26 deste mês, quando gente simples do povo, alguns ilustres desconhecidos, e outros, nomes notáveis da vida paranaense, estarão recebendo o diploma “Personagem do Bem”. Dentre os agraciados: Fani Lerner (in memoriam), Jaime Lerner, Eduardo Archegas, padre Joaquin Parron, Edson Campagnolo, Darci Piana, José Lúcio Glomb, Linei Dellê Urban, Raul Anselmi Júnior, Carlos Marassi, Maria Sandra Gonçalves, José Carlos Fernandes (jornalista); Elizabeth Bettega Castor…
A solenidade será simples, no modesto auditório da instituição, com direito a coquetel preparado pelos funcionários da casa.
MEDINDO O BEM
– Não dá para calcular o bem que o nosso albergue fez ao longo de tantos anos. Isso embora muito se diga (e o dizem especialmente os filósofos) que todo bem e todo mal podem ser quantificados, opinou ontem o engenheiro e empresário Rafael Pussoli, provedor da instituição há 20 anos.
800 REFEIÇÕES
O que posso afirmar é que até 2014 serviam-se cerca de 800 refeições/dia no albergue, a Casa dos Pobres: café da manhã, almoço e jantar.
A mantenedora não conta com verbas públicas, exceção do pequeno apoio da Prefeitura à creche que a casa mantém anexa.
Até a vigilância da Guarda Municipal de Curitiba foi retirada pela Prefeitura, há 2 anos, sob a alegação de que estaria sendo usada por ‘entidade particular’. Mas, esqueceram os burocratas da PMC, que a Casa dos Pobres São João Batista é de utilidade pública, inclusive federal. E que faz parte da história da Curitiba desde o século 20 com serviços inigualáveis, absolutamente grátis.
Outra única instituição similar, o antigo Albergue da Federação Espírita do Paraná foi desativado há cerca de 10 anos.
SOBREVIVÊNCIA
“A Casa sobrevive”, como afiança Pussoli, graças a doações de pessoas físicas e jurídicas. Com esses recursos levantados, tostão a tostão, em grande parte pelo trabalho de “pedinte” do seu provedor Pussoli, a Casa mantém dezenas de empregados e garante, de forma acentuada, abrigo a doentes que vêm do interior para tratamentos médicos, especialmente os oncológicos, em hospitais públicos. A clientela é absolutamente carente:
– Muitas vezes eles chegam precisando até de agasalhos, e os atendemos, pois a comunidade faz doações de roupas boas, novas, ou sem inovas, de forma sistemática, explica o provedor.
Um bazar de roupas usadas é permanente no albergue e com ele a instituição tem renda mensal de cerca de R$ 12 mil. A clientela maior desse bazar são mochileiros, que revendem as roupas no sistema porta a porta, especialmente, e a preços muito baixos. Entre os notáveis que devotaram suas vidas ao albergue, além de Januário, a história da casa registra com destaque o nome de João Batista Gnoato, advogado que muito dedicou-se à instituição.
“PERSONAGEM DO BEM”
Rafael Pussoli e outros membros da diretoria da Casa dos Pobres São João Batista asseguram ainda a este espaço, a propósito da homenagem marcada para as 20 horas do próximo dia 26: o diploma que os escolhidos receberão é reconhecimento a trabalhos que grande importância comunitária que eles realizam, em muitos campos da vida paranaense.
“Eles, os Personagens do Bem, não são, necessariamente, doadores de recursos ao albergue, mas pessoas que trabalham no mesmo tom da Casa, ajudando o próximo. São nomes singulares de Curitiba”, completou o provedor.
