
A coordenadora da comissão de Compliance do Instituto Brasileiro de Direito e Ética Empresarial (IBDEE) e especialista mundial em compliance, governança e auditorias, Olga Pontes, apresentou nesta quarta-feira (23), em Curitiba, os caminhos essenciais para que lideranças das altas administrações de empresas possam agir para garantir a eficácia dos indicadores de ESG. A palestra aconteceu durante o encontro sobre as responsabilidades da administração de uma organização em relação aos indicadores sociais, de sustentabilidade e governança (ESG, da sigla em inglês) do ESGG (Environment, Social e Governance Group), grupo que integra o Programa WTC de Competitividade do World Trade Center (WTC) Curitiba, Joinville e Porto Alegre.
“As lideranças devem estar preocupadas em pensar o impensável, se preparar para tudo que possa acontecer, e de maneira correta. O primeiro caminho é o da organização formal: toda nação, instituição ou ambiente em que se vive em sociedade precisa de um propósito de existência. E esses valores devem corresponder às expectativas dos parceiros da marca. Estamos na era dos ‘PPPs’, planeta, pessoa, prosperidade e propósito. Desse modo, todas as medidas devem estar vinculadas ao planejamento de futuro, não apenas a métricas de crescimento”, pontuou Olga, que já liderou projetos de GRC (governança, riscos e compliance) e auditoria interna em cinco continentes, trabalhando para a EY Brasil e EY Londres; além de ter sido líder das áreas de compliance SOX e auditoria interna da Braskem e diretora de compliance da Odebrecht, em momento de crise.
VALORES MORAIS
De acordo com Olga Pontes, de nada adianta ter uma estrutura de governança perfeita em uma organização se ela não for ocupada por líderes que tenham valores morais fortes, princípios éticos coerentes e consistentes ao longo do tempo. “Além disso, é preciso ter metas tangíveis, palpáveis, para que os resultados apresentados aos executivos tragam recompensas a médio e longo prazo. Um fator importantíssimo é a sustentabilidade dos indicadores de ESG a longo prazo, saindo do viés imediatista. Não dá pra aplicar ESG apenas em relatórios de prestação de contas e abandonar depois.”
A especialista recomendou ainda que a gestão de pessoas tenha um melhor direcionamento junto às pessoas que saem da organização da mesma forma que se ocupa das contratações. “Quem parte de um lugar insatisfeito se torna uma célula negativa para aquela empresa. É preciso cuidar dos processos de entrada e de saída com igual cuidado com aquele ser humano.”
Para a presidente do Grupo de ESGG, Naiara Augusto Czarnobai, que também é gerente de análise de riscos da SCGÁS Companhia de Gás de SC, é importante ouvir especialistas experientes como Olga Pontes. “Ela é uma profissional reconhecida mundialmente, liderou importantes processos em empresas de grande porte e foi coordenadora do GT de Anticorrupção da Rede Brasil do Pacto Global da ONU. Concordo com a sua explanação, e acredito que é preciso uma constância na aplicação das mudanças dentro das organizações, não apenas para se conectar com o mercado ou para prestar contas ao conselho da empresa.”
WTC
O ESGG faz parte do Programa WTC de Competitividade, iniciativa do World Trade Center Curitiba, Joinville e Porto Alegre, importante player no ambiente de negócios há mais de 50 anos. O WTC é formado por diferentes grupos empresariais, públicos e privados. Tem como objetivo aumentar a competitividade das empresas, gerar negócios, fomentar o comércio internacional, disseminar melhores práticas globais, além de trazer inovação e investimentos para as cidades e países em que está presente. Seus associados contam com a rede do WTCA.
