quinta-feira, 16 abril, 2026
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Opinião de Valor: Cesar Kusma relata sobre conjuntura política do país

Cesar Kuzma
Cesar Kuzma

 (Parte I)

“Um ‘petismo’ fanático é uma inconsequência, e até irresponsável; mas um ‘antipetismo’ agressivo, violento, como se tem visto, é ainda mais perigoso e danoso a toda sociedade e à nossa jovem democracia. Nessa luta (já chamo assim) todos já escolheram um lado. Ninguém está indiferente. Eu opto pela democracia e pelo caminhar do processo, mesmo que lá na frente eu tenha de mudar. Mas não se pode mudar na parcialidade ou no vazio das acusações e daqueles que querem fazer justiça com as próprias mãos. Se a intenção era ter mãos limpas, pode-se errar e torná-las sujas, se o caminho não for democrático”, escreve Cesar Kuzma, doutor em Teologia e professor do Departamento de Teologia da PUC-Rio. Eis o artigo.

  1. As novas (e velhas) questões políticas avançam e trazem novos questionamentos sobre nossas ações, emoções e atitudes. Hoje, e este “hoje” é uma expressão contextual, as questões se agravaram. Temos à nossa frente um sistema político podre, falido, corrupto e comprometido com velhas estruturas e uma divisão de faces que descortinam um horizonte não tão favorável para todos nós, enquanto pessoas, nação, projetos políticos e sociedade. Junto a este sistema, é possível notar uma sociedade amarga e imprevisível em suas atitudes e remorsos, não tendo medo ou vergonha ou sensatez naquilo que pede, cobra ou simplesmente compactua, muitas vezes sem saber a real causa ou consequência.

Vemos palavras de ordem, de justiça, de injustiça; também não faltam comentários agressivos e violentos de ambos os lados, seja nas ruas ou praças, seja nas redes “sociais”, seja nas relações mais íntimas, inclusive entre amigos e irmãos…, o que nos faz perceber que a falta da razão, a falta de aprofundamento e a falta de uma perspectiva mais ampla do que nos é mostrado torna confusa, turva e singular a nossa visão. Não existe imparcialidade, pois querendo ou não tomamos um lado na discussão, e ela se faz (ou se pode fazer) verdadeira naquilo que se propõe, pois está apoiada na experiência de vida e nos princípios e valores de cada um.

Este é um ponto

  1. Depois. Seria diminuir demais o nosso discurso social e político se levarmos em conta apenas aquilo que parte da mídia/imprensa (e com interesses bem próprios…) coloca à nossa frente e nos faz acreditar por “a” e sem “b” que tal fato é a única verdade, a única visão, mesmo que a notícia “editada” (portanto, parcial no seu interesse) seja uma parte interpretada da realidade. Ora, não se nega a realidade, pois há um princípio e indício de onde tudo se parte, mas a recepção do fato, a maneira como foi apurado e interpretado, com interesses diversos ou bem específicos, pode dar outra tonalidade aos fatos, caracterizando como verdadeiro ou não. Que denúncias chegam, que elas são graves (diria gravíssimas!), que houve fatos que envolveram este ou aquele grupo/partido são situações que devem ser apuradas, e, se comprovadas, que sejam tomadas as medidas cabíveis e com apoio no sistema judicial vigente, respeitando sempre a legalidade, o direito de defesa e o apuramento da veracidade de toda e qualquer investigação.

O que é estranho, e esta é a denúncia que se faz, é a forma como se tomam as providências e/ou a parcialidade com que se fazem os juízos, acirrando ódio, violência, confusões e interpretações, que podem estar próximas da ocorrência, do fato, ou totalmente distantes, devido à operacionalização ou maquinação do quadro interpretativo. Um processo de limpeza, operacionalizado pelo Poder Judiciário, se feito na abrangência e com interesse social e democrático, pode e será sempre um ganho. Afinal, esta é a função deste Poder.

JUDICIÁRIO

Contudo, quando se vê na parte do Poder Judiciário aspectos partidários indiretos e/ou inclusos, ou o uso da questão judiciária por questões partidárias, seja pela interpretação do julgamento pela mídia/imprensa, seja da maneira como a classe política usa do evento com interesse próprio, seja pela não neutralidade daquele que atua no juízo, seja no vazamento parcial e intencional de informações a setores da imprensa bem selecionados [!], cujos interesses não são a justiça, mas a intromissão e a deturpação da ordem, quando isso ocorre, percebemos que não é o interesse democrático que está em jogo, mas outros, e podemos dizer que são interesses perigosos, com desfechos incalculáveis e trágicos, levando ao pior fim aqueles e aquelas que já estão no fim da história, os pobres.

(PROSSEGUE)

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