
Ontem, em longo depoimento para meu livro Vozes do Paraná 8 – a ser lançado em setembro próximo – Cleverson Marinho Teixeira, parte do “creme” da advocacia curitibana, ex-deputado federal e muito requisitado por sua especialidade, Direito Empresarial, disse não ter se arrependido de ter se desligado da política partidária. Até porque, sem ser saudosista, considera-se um privilegiado, parte de uma geração de jovens iniciados na política pelas mãos de notáveis. Gente como Franco Montoro, Ney Braga, Affonso Camargo.
VIVEIRO DA JDC
Recordou Cleverson que nos anos 1960, quando chegou a presidir a Juventude Democrata Cristã (JDC) no Paraná, o braço jovem do partido que então experimentava seus dias gloriosos: “Quem vinha a Curitiba, de São Paulo, aos sábados à tarde, para nos instruir no ideário da Democracia Cristã era Franco Montoro, depois governador de São Paulo, ícone da vida pública do país”.
E, em tom entre o triunfante – por ter vivido aqueles dias -, e tristeza, pela política partidária praticada hoje, indagou: “Será preciso dizer mais de meu desalento?”.
Entre os jovens que depois ganhariam projeção na vida pública do Estado, e com os quais conviveu na JDC, Cleverson citou Julio Cesar Giovanetti, Paulo Ricardo dos Santos, José Carlos Campos Hidalgo, Oscar Alves, o ex-governador José Richa (talvez o mais velho do grupo).
REALISTA
Sem citar nomes ou situações, respondendo a uma pergunta sobre ‘a verdadeira representatividade e importância de associações empresariais paranaenses’ – Cleverson disse:
“Boa parte dessa citada pouca representatividade resulta de um quadro nacional. Pois o que se vê no país são lideranças empresariais de expressão preferindo comprar políticos, parlamentares, governantes, do que investir em cidadania e em educação e em compromisso com a vida pública”.
Admitiu que a manifestação de rua do próximo dia 13, em Curitiba, contra o Governo Dilma, poderá ter uma expressão muito grande. Não arriscou estimar números. Mas garantiu que “as ruas vão falar alto”, e que hoje não há controle de entidades empresariais sobre os manifestantes, “porque eles se multiplicaram desde aqueles primeiros, e só se identifica um ou outro nome em lideranças do protesto.”
Um deles, reconheceu, trata-se de empresário da construção civil, com recursos para promover e apoiar grandes manifestações como a do dia 13.
