
Luiz Fernando de Queiroz, que vai se firmando como sólido editor de livros importantes, alguns imprescindíveis para se entender os dias de hoje, promete lançar pela Bonijuris, em 10 de março, às 19 horas, na Livraria da Vila, Pátio Batel, em Curitiba, aquele que deverá ser o mais polêmico deles. Trata-se de “O direito de ser rude, liberdade de expressão e imprensa”, do juiz de Direito estadual (Maringá) Max Paskin Neto.
Acho que o livro pode constituir um marco no mundo das ideias, no terreno dos direitos humanos, abrindo enorme janela para um exame de questões como as do chamado “politicamente correto”. Nesse ponto – e que pelo que depreendi até agora da leitura do livro – Max é mesmo um demolidor de barreiras. Nisso vai ao cerne de certos despropósitos que se firmaram nos tempos de hoje, muitos deles importados dos exagerados norte-americanos. E ele assim se comporta por que acha que “precisamos abrir um espaço permissivo para opinar, informar, formar e até mesmo ser rude”.
CHOCANDO

Podem chocar certos questionamentos do juiz, mas ele os sustenta bem, como as críticas às “interdições” dos politicamente corretos que impedem comentários bem-humorados sobre gays, mulheres, judeus…
E Max teve avó materna, Bella, uma judia, de quem herdou o fato de ser um filho do ‘povo do Livro’, um filho da Israel bíblica.
Mas a mim me deixa a impressão de que é simplesmente um cidadão do mundo, sem filiações religiosas.
Eu acrescentaria à relação do juiz também as “interdições” que hoje se estendem a negros e algumas de suas características étnicas (cabelo, por exemplo); a portugueses e sua suposta “burrice”; e aos nossos queridos “turcos”, os sírios e libaneses (geralmente maronitas e melquitas ou ortodoxos) com os quais fomos criados e com quem tanto aprendemos em termos de fraternidade.
ALFINETADAS
O juiz chega, ainda, a distribuir algumas alfinetadas a igrejas, quando defende o direito à crítica. Nisso pode até cometer exageros, colocando-as, é o que dá entender, numa certa vala comum das denominações fundamentalistas.
Max, professor e escritor, deve estar plantando em terreno muito fértil, até mesmo quando defende o chamado discurso odioso (hate speech), que o leitor só entenderá bem ao compreender como o autor o analisa. O que deve inclui observação sobre o melhor avalista da obra, o ministro Marco Aurélio Mello, essa fantástica figura humana que pontifica no STF.
Como prometi a Luiz Fernando Queiroz, aprofundarei meu olhar sobre a obra de Max Paskin Neto, em breve.
