quarta-feira, 15 abril, 2026
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Atenção: está nascendo a “Teologia da Libertação Animal” (Final)

Peter Singer
Peter Singer

Os frades Luiz Carlos Suzin e Gilmar Zampieri anunciam a “Teologia da Libertação Animal”. Suas bases estão no livro “A Vida dos Outros”, Edições Paulinas, recém lançado.

A ‘nova linha teológica’ condena o comportamento humano – “especista seletivo” – que ama os bichinhos de estimação, como gatos e cachorros, ‘mas é indiferente ao sofrimento e à morte de outros animais’.

Essa realidade, dizem os dois religiosos católicos, reclama confronto com o pensamento ético e teológico crítico. O livro, na visão da editora, é colaboração para uma mudança “de paradigma na relação com os animais não humanos”.

CONTESTADOS

Se os frades capuchinhos catarinenses, que hoje lecionam em universidades de Porto Alegre, têm uma ampla argumentação em busca de encontrar um novo lugar para os animais no Reino de Deus, anotem: eles já começam a ser contestados, com argumentos sólidos.

Um desses argumentos, é de que os dois não estariam sendo fiéis à doutrina cristã, à ortodoxia da fé, aquela que, apoiada na mensagem bíblica, diz que os animais existem para servir ao homem. Que todos foram postos para que fiquem sob o domínio do Homem (conforme o Gênesis).

O leitor – que pede anonimato -, que identifico por iniciais CDNS, de Curitiba, crava a seguinte contestação:

São Francisco de Assis
São Francisco de Assis

PETER SINGER

“Aroldo,

Veja abaixo a fonte de inspiração dos teólogos da libertação animal. O criador da “teologia” é aquele abortista australiano Peter Singer, que ficou famoso ao afirmar (?) que todos os seres vivos têm sentimentos parecidos com os da espécie humana. Para ele, por exemplo, “a grama chora quando vê aproximação de uma máquina cortadora!!! No link a seguir você encontra matéria completa que saiu no (prestigiado) site JusNavigandi:

https://jus.com.br/artigos/21412/igualdade-para-os-animais-especismo-e-sofrimento-animal-sob-a-perspectiva-utilitarista-singeriana

A coluna, por sua vez, observa: O livro está aí, vale pelo menos como bom exercício intelectual e a profunda imersão que faz em temas como a linguagem hebraica e a linguagem helênica nos textos bíblicos, questão a ser considerada – dizem os frades Suzin e Zampieri – quando se interpreta as Escrituras. Essa linguagem (uma questão para os exegetas) é trabalhada pelos autores para examinar a questão sacrificial dos animais, desde a Antiga Aliança, assim como a visão de Francisco de Assis e Thomas de Aquino sobre os bichos.

“Um desses absurdos são os bilhões de dólares que os seres humanos do mundo todo – especialmente das sociedades ocidentais – gastam para alimentar, dar tratamento médico e manter centenas de milhões de animais de estimação. Enquanto isso, na esquina de nossas casas, crianças em andrajos e famintas percorrem as ruas mendigando…”

OUTROS SOFREDORES

O que concluo – pelo número de e-mails que recebi, protestando contra a chamada “Teologia de Libertação Animal” – é que o assunto merece todo o cuidado, não pode ser simplesmente consumido como novo modismo, religioso ou não. Por que se assim não for, diante de ‘uma possível humanização dos animais’ (além daquela notória votada aos bichos de estimação) o que veremos são situações esdrúxulas.

Um desses absurdos são os bilhões de dólares que os seres humanos do mundo todo – especialmente das sociedades ocidentais – gastam para alimentar, dar tratamento médico e manter centenas de milhões de animais de estimação. Enquanto isso, na esquina de nossas casas, crianças em andrajos e famintas percorrem as ruas mendigando, esquálidas, desnutridas, analfabetas, doentes. Elas estão espalhadas, em Curitiba, morando em favelas que devem abrigar pelo menos 10% da população da cidade.

E que dizer da fome na África, Índia e todo o Terceiro Mundo?

Talvez até como parte dessa onda que coloca os animais acima do homem faminto é que a Câmara de Curitiba aprovou, ano passado, lei proposta por um vereador mandando os carrinheiros se desfazerem de carroças puxadas por burros ou mulas. Matéria não vetada pelo prefeito Gustavo Fruet.

O que se vê, agora, são homens, mulheres e alguns adolescentes miseráveis substituindo a tração animal, puxando seus carrinhos em busca de recicláveis em Curitiba.

PARA ENTENDER:

O filósofo australiano Peter Singer construiu uma fama não muito admirável em virtude de sua abordagem em temas polêmicos como aborto e eutanásia. A posição de Singer é basicamente utilitarista, ou seja, sendo bem simplista, ele pauta seus atos na busca pelas consequências menos sofríveis e mais prazerosas, o que explica muito de sua produção. A obra de Singer no que tangente ao tema “direito dos animais” está quase toda condensada nas obras Ética Prática e Libertação Animal, nas quais ele expõe o seu caráter defensor dos animais frente à ideia geral que prega a superioridade humana, que ele denomina especismo. Para embasar suas proposições, Singer faz um apanhado sobre o que, para ele, coloca no mesmo patamar seres humanos e não-humanos, sem esquecer de elencar uma lista das principais atrocidades cometidas contra esses últimos.

Leia mais: Atenção: Está nascendo a “Teologia da Libertação Animal” (1)

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