
Cleto de Assis é um paranaense adotivo, nascido em Santa Catarina, que, a partir do Paraná, formou as bases de um currículo multifacetado, em que o professor, o tradutor, o artista plástico, o editor de livros e revistas algumas vezes deu lugar ao ocupante de posições políticas de relevo. Foi, por exemplo, no segundo governo de Ney Braga, secretário de Imprensa do Paraná, e depois, no Governo de Itamar Franco, chegou a ser diretor do Ministério da Educação (MEC).
Amigo de Cleto e sua família, acompanho-o agora, quando ele é o braço direito de seu amigo Oscar Alves, como secretário do Conselho Estadual de Educação.
Acompanho muitas vezes as incursões poéticas de Cleto por caminhos digitais em que o criador de muitas faces se expõe.
Aliás, fazer arte é coisa de família: a de Cleto teve dois membros com proeminência no mundo das artes, além dele: Cleon, modista importante; e Clécio, um consumado banqueteiro cujo bom gosto e as qualidades de ‘chef’ não foram ainda superadas no Paraná. Quem não se lembra dos tempos áureos do restaurante da Sociedade Helvetia de Curitiba, outrora um espaço a lembrar coisas da Suíça? Na memória de muitos, especialmente do patriciado do velho Paraná, restam fortes as lembranças dos grandes casamentos cujos banquetes levavam a marca de Clécio de Assis (in memoriam).
“Sapeco, carijó, barbaquá, cancheamento – essas são algumas das palavras-chave para entender o dicionário da erva mate.
Acredito piamente que temos pela frente um livro que se fará imprescindível em qualquer biblioteca, daqui e do mundo a fora, quando se quiser entender essa planta que, hoje, até os japoneses começam a consumir”

Diante de um ser humano de tantos talentos (não esqueço que também é designer de joias e artista gráfico), não me surpreende a nova empreitada em que Cleto de Assis agora se empenha, para lançamento em data anda não anunciada: “O Grande Livro do Mate”.
Um livro trilíngue, português, inglês e espanhol, a obra terá características de uma grande reportagem detalhada “sobre a fascinante e instigante planta, cujo habitat natural foi encravado no coração do cone sul-americano”, diz Cleto.
Nessa grande imersão no mundo da erva mate que Cleto promete, ponto saliente será examinar o alimento de enormes nutrientes, que a bebida oferece, conforme afirmação de estudiosos da Ilex.
Conhecendo o perfeccionismo que caracteriza os trabalhos de Cleto – um deles, dentre tantos, foi o Novo Jornal, de Londrina -, sou dos que apostam no livro, que terá quase 300 páginas. E mais que isso: esmiuçará a erva mate, do ponto de vista da história econômica do Paraná, de sua importância para países como a Argentina, Paraguai e Uruguai, assim como mostrará novo habitat da bebida ‘quase milagrosa’, a Nova Zelândia.

Desse ciclo econômico (e histórico) da erva mate, nada escapará ao olhar do autor em suas pesquisas, que deverão se estender pela América do Sul.
Sei que para cumprir o amplo projeto de conteúdo – 28 itens, que vão das origens da erva mate até sua presença no mundo digital – Cleto recorrerá a alguns, referências locais e internacionais. Uma delas, a professora emérita da UFPR Cassiana Lícia de Lacerda, neta e filha de ervateiros, herdeira do melhor acervo de conhecimentos desse ciclo econômico que tanto definiu o Paraná, por anos.
Cassiana conhece as pegadas do mate em todas as suas dimensões. Desconheço alguém que possa tão bem quanto ela traçar um roteiro físico e psicológico da Ilex, e ajudar o escritor de “O Grande Livro do Mate” a retraçar marcos. Tais como os da arquitetura dos palacetes do mate, falar dos senhores de engenho, apontar o mapa dessa atividade econômica que – embora não se entenda facilmente hoje – sustentou as bases do desenvolvimento do Paraná por anos.
Sapeco, carijó, barbaquá, cancheamento – essas são algumas das palavras-chave para entender o dicionário da erva mate.
Acredito piamente que temos pela frente um livro que se fará imprescindível em qualquer biblioteca, daqui e do mundo afora, quando se quiser entender essa planta que, hoje, até os japoneses começam a consumir.
Os nipônicos nela vêm propriedades tão eficientes e com poder antioxidante quanto o chá verde. Essa é uma realidade que conhecemos há muitos anos, e que “O Grande Livro do Mate” nos vai detalhar.
OBSERVAR:
Acredito que uma espécie de mapa dos grandes moinhos de erva mate de Curitiba, e de outras cidades, deverá constar do “Grande Livro da Erva Mate”, que de alguma forma procurará esgotar o tema. Nisso, permitirá, por exemplo, que as novas gerações entendam como se processavam as colheitas, com os carroções, os surrões, as barricas. E numa ampla concessão à História, o livro deverá pesquisar a origem e o destino de sociedades, como a dos Barriqueiros do Ahú, nascidas sob o signo da erva mate, ao mesmo tempo em que estenderá seu olhar para realidades como o ritual do mate, nas sociedades rurais (e algumas urbanas), o mate na Internet, o mate na Literatura…
O livro de Cleto terá o formato de 25,5 X 29,55 com farta documentação fotográfica.
