quarta-feira, 15 abril, 2026
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Lachini foi também um marco na imprensa do Paraná

Lachini autografa seu livro “Anábase”, a história de 80 anos da Gazeta Mercantil, em Salvador (BA), em 2000.
Lachini autografa seu livro “Anábase”, a história de 80 anos da Gazeta Mercantil, em Salvador (BA), em 2000.

O jornalista Cláudio Antonio Lachini, que teve importante passagem pelo Paraná como diretor da “Gazeta Mercantil”, nos anos 1990, faleceu na terça-feira (5), em São Paulo, aos 74 nos, depois de uma longa batalha contra o câncer. Seu corpo foi sepultado na quarta-feira (6), Dia de Reis, no cemitério do Morumbi, em São Paulo, onde residia. Lachini, por meio da “Gazeta Mercantil”, foi um dos responsáveis pela projeção nacional do empresariado paranaense e da pujança da economia do estado, na última década do século 20.

Carreira de destaque na “Gazeta Mercantil”

O jornalista capixaba também formado em Direito trocou sua terra natal (ES) por São Paulo nos anos 1960, onde participou do nascimento da revista “Veja” e “Expansão” (1968). Em 1974, foi para a “Gazeta Mercantil”, permanecendo por mais de três décadas, onde exerceu diversas funções de comando e encerrou sua carreira como diretor. Jornal, aliás, cuja história (80 anos) condensou no livro “Anábase”, publicado no ano 2000.

O ESPÍRITO SANTO E A ITÁLIA NO CORAÇÃO

Foto da edição de estreia da revista Veja, em 11 de setembro de 1968. Capitaneados ao centro pelo jornalista Mino Carta, editor-chefe, a equipe de redação que faria história. Cláudio Lachini é o terceiro ao fundo, quase ao centro (o jovem de pescoço alçado)
Foto da edição de estreia da revista Veja, em 11 de setembro de 1968. Capitaneados ao centro pelo jornalista Mino Carta, editor-chefe, a equipe de redação que faria história. Cláudio Lachini é o terceiro ao fundo, quase ao centro (o jovem de pescoço alçado)

Descendente de imigrantes italianos, Cláudio Lachini tinha muito orgulho de sua terra natal e dos antepassados de sua família – eternas fontes de suas inspirações. Tanto que, além de dominar a língua italiana e gostar de falar horas a fio das qualidades peninsulares e de seu folclore nas hostes capixabas, escreveu dois romances para honrar a sua origem. O primeiro, “Sperandio” – fragmentos de uma saga ítalo-brasileira (Editora Barcarolla, 2007), narra uma vigorosa e comovente crônica da história da imigração, para o Espírito Santo, dos primeiros pioneiros, através do personagem Sperandio Zibaldone.

O segundo romance, “Vasco – Memórias de um precursor da globalização” (Editora Barcarolla, 2009), conta a história de Vasco Fernandes Coutinho, um fidalgo português – o primeiro capitão donatário da Capitania Hereditária do Espírito Santo. Chegou à pequena praia de Piratininga no dia 23 de maio de 1535, que caiu em um domingo de Pentecostes, e por isso, batizou a terra da qual veio a tomar posse de Espírito Santo. Com ele vieram 60 degredados, ex-prisioneiros que, a seu pedido, o rei dom João III libertou da prisão do Limoeiro, em Lisboa.

Lachini deixa a esposa Margarida (Gaia), os filhos André e Luciana, e uma multidão de amigos em Curitiba e no Paraná todos.

Deixa especialmente fieis e atentos seguidores de suas dissertações sapienciais, amigos que se reuniam em torno dele em momentos de boemia e em confraternizações (muitas).

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