
O Natal chegou. Veio como tem vindo sempre, com a mesma carga de esperança. Quem mudou nas últimas décadas fui eu, não o Natal que celebramos em torno da Boa Nova trazida por Cristo.
E como mudei? Mudei principalmente na capacidade de observar a absorver realidade, de que dou mostras a seguir, citando alguns pontos salientes do mundo que nos cerca, a propósito do Natal…
Por exemplo, leio com atenção a ampla matéria jornalística enviada por Cláudia Gabardo, sobre a nova utilidade que vem sendo dada na Europa, em países como a Holanda, a templos religiosos católicos e protestantes.
Alguns viraram bares, outros teatros e boates e outros receberam pistas de skate, com os moços ‘voando’ próximo a estátuas e vitrais que por muitos anos testemunharam orações e cultos de gerações de crentes.
AS CATEDRAIS
Essa é uma realidade europeia e parcial. Poderia, de minha parte, mostrar outros exemplos, bem contrários, de revigoramento do espírito religioso, como as enormes catedrais da fé – de igrejas evangélicas, especialmente – nos Estados Unidos. E ir a grandes peregrinações de fé, como as de Medjugorje. Mas não se trata de fazer cotejamentos entre crentes e não crentes. Mas de tão somente observar diversas realidades neste tempo de Natal.
“Não discordo: as religiões podem estar em crise, as igrejas – em certas partes do mundo – vão se esvaziando. Mas a fé religiosa nunca foi tão forte e expressiva quanto nos dias de hoje”.
Outro exemplo: no dia de ontem, os jornais internacionais publicaram com o destaque que o papa Francisco sempre provoca em seus pronunciamentos, os “antibióticos” que propôs aos cardeais, para a recomposição do verdadeiro espírito de fé que deve identificar os chamados príncipes de Igreja.
MILAGRES
Passo os olhos, nesta véspera de Natal, em outras páginas de jornais e descubro, enfim, quem é o engenheiro, agora com 42 anos, a quem a intercessão da beata Madre Teresa de Calcutá teria garantido milagre que lhe salvou a vida. Trata-se de Marcilio Haddad Andrino. E que, por isso mesmo – pela natureza excepcional da cura experimentada pelo engenheiro, vai garantir o passo final para que o Vaticano canonize a freira que deu sua vida pelos pobres na Índia.
O assunto Madre Teresa leva-me também a redescobrir um velho conhecido, hoje padre em Santos, Caetano Rizzi. Ele é o promotor desse caso, avaliando pela Santa Sé, procurando a veracidade ou não do milagre atribuído à freira indiana (na verdade, nascida na Albânia). Caetano começou a vida religiosa em Curitiba, foi seminarista da comunidade Missionários de Damasco, criada pelo padre João Rocha.
MUITA FÉ
Não discordo: as religiões podem estar em crise, as igrejas – em certas partes do mundo – vão se esvaziando. Mas a fé religiosa nunca foi tão forte e expressiva quanto nos dias de hoje, agora tomando diversas características, muito diferentes daquelas com as quais o mundo Ocidental foi se habituando a ver.
Por exemplo: a enorme expressão de fé dos islamitas não pode ser desconhecida, ninguém duvide. Esta é uma realidade que expressa novas dimensões espirituais, assim como o avanço do cristianismo em áreas nunca dantes imaginadas, com tanto vigor, como a Índia, onde católicos e evangélicos são bem-sucedidos em suas pregações.
Incluo nessa visão animadora sobre a manutenção do espírito religioso as diversas expressões, muitas delas parecendo “vagas” para os cristãos mais ortodoxos, mas que contam muito. Dentre elas, os que se apegam a expressões holísticas, Nova Era, às conotações mágicas de um mundo habitado por seres que são, basicamente religiosos, como até as manifestações mais primitivas de uma grande busca do Onipotente.
O que posso garantir: a sede de Deus e do Criador é matéria definitiva.
É parte essencial da natureza humana, vivendo ele dentro ou fora de igrejas.

