sexta-feira, 29 agosto, 2025
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Como ler as mudanças determinadas pelo arcebispo

Uma informação comporta diversas leituras. Mais ainda quando ela trata de realidades terrestres e celestes. Tal como a divulgada no dia 14, anunciando grandes mudanças no comando de diversas paróquias católicas de Curitiba e em posições da própria cúria.

Um exemplo de quanto uma “simples mudança” pode comportar realidades encobertas do grande público foi a remoção do padre Luiz Kleina, que há 16 anos dirigia a Paróquia do Carmo, em Vila Hauer.

– Padre Kleina era uma espécie de vice-rei daquela comunidade católica local. E essas situações não agradam ao arcebispo dom José Antonio Peruzzo, disse ontem à coluna um padre da Cúria Metropolitana de Curitiba, ressalvando: ” não houve irregularidade na administração de Kleina”.

DIFERENCIADO

Padre considerado diferenciado – é cantor, um tanto egocentrado, tem grande visibilidade na Hauer com novenas que arrebatam multidões semanais -, Luiz Kleina foi ecônomo do Arcebispado, com o arcebispo anterior, dom Moacir Vitti, de quem era amigo pessoal.

O arcebispo foi compreensivo com Kleina, mas o poderoso Conselho Presbiterial da Arquidiocese de Curitiba vetou sua indicação. Não se sabe sob quais motivos, é uma espécie de segredo de confessionário…

Tendo sido majestade numa paróquia de visibilidade e que lhe dava poder político, Kleina não queria simplesmente deixar Vila Hauer. Por isso, tentou – e chegou a ser indicado por dom Peruzzo – ser o cura da Sé, o que significaria ser pároco da Catedral, a paróquia do arcebispo. Lá continuaria com a visibilidade de que sempre desfrutou.

O arcebispo foi compreensivo com Kleina, mas o poderoso Conselho Presbiterial da Arquidiocese de Curitiba vetou sua indicação. Não se sabe sob quais motivos, é uma espécie de segredo de confessionário…

PAULO IUBEL

Kleina acabou sendo designado para a paróquia do Imaculada Conceição, no Guabirotuba, área de classe média, em que substituirá o falecido Padre Paulo Iubel, que se notabilizou como especialista em heráldica, latinista e conhecedor da língua polonesa gramatical (foi o intérprete de dom Pedro Fedalto em Curitiba, 1980, quando aqui esteve o polonês João Paulo II e depois acompanhou o arcebispo numa visita ao pontífice, em Roma). Iubel era criador de brazões para bispos de todo o Brasil.

PADRE MANZOTTI

Dom Peruzzo está satisfeito com o trabalho do padre-cantor Reginaldo Manzotti, hoje dono de visibilidade nacional, fundador e presidente da Fundação Evangelizar, detentora de todos os seus direitos autorais sobre discos, shows, livros. Direitos que devem render $ milhões/anuais, ninguém duvida.

Mas o arcebispo não teria escondido, desde que chegou a Curitiba, achar ‘estranho’ o fato de todas as atividades da Fundação Evangelizar estarem centradas no enorme espaço de área construída da Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, um “monstrengo” do ponto de vida arquitetônico, projeto e construção de padre Alberton (engenheiro civil), ano 1954 (ele foi um jesuíta gaúcho que atuou no Colégio Medianeira).

No espaço, cheio de bibocas, concentram-se auditório – em que são gravados os programas de Manzotti – áreas artística, técnica e administrativa, rádio e televisão.

“O arcebispo nunca pensou” – assegura um outro padre da Cúria – em transferir Manzotti, tanto pelo papel que ele exerce, de repercussão nacional, como por uma possível ponte de apoio financeiro que a Fundação Evangelizar garantiria à Cúria.

No entanto, dom Peruzzo foi direto ao tratar da localização da Fundação: pediu a Manzotti que ela se mudasse, para o espaço ser ocupado pelas atividades pastorais.

O CONTRATO

Neste ponto, houve surpresa geral: Manzotti teria – teria, é condicional – exibido ao arcebispo um contrato, que tem ainda muitos anos de vigência, assinado entre o Arcebispado e a Fundação Evangelizar. Pelos termos do acordo, o lugar da Fundação é lá mesmo, tudo de acordo com o conformes legais. Haveria uma espécie de comodato em vigência. Ou aluguel?

Pelo instrumento, se dom Peruzzo aceitar a irreversibilidade do acordo, a Fundação de Manzotti (incluindo rádio e televisão) é irremovível a médio prazos da Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe.

Mas se o arcebispo recorrer ao Código de Direito Canônico e o padre for obediente, as coisas podem mudar de figura…

(PROSSEGUE)

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