
‘Nem sempre as crenças têm a mesma opinião política’, com esta frase, o sociólogo do ISER (Instituto de Estudos da Religião), pastor batista Clemir Fernandes explica à imprensa nacional parte das manifestações do final de semana, de líderes religiosos, sobre o pedido de impedimento da presidente Dilma Rousseff.
Manifestações de apoio a Dilma, contra o impeachment vieram do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil), organismo que aglutina e fala por denominações religiosas chamadas de históricas. A instituição aglutina representações das igrejas Católica Romana, Evangélica da Confissão Luterana, Episcopal Anglicana do Brasil e Metodista.
Osmar Silva Costa, presidente do Conselho de Pastores e da Convenção Geral das Igrejas Assembleias de Deus no Brasil: se Dilma for condenada, deve “não só perder o mandato como também ir para atrás das grades, onde já está José Dirceu”.
Para o CONIC, o deputado Eduardo Cunha “se baseou em argumentos frágeis”, ao abrir o pedido de impeachment. Para a instituição “o afastamento da presidente Dilma nos conduziria ao caos”, opinião que é diametralmente oposta à da Assembleia de Deus Ministério Madureira (de que Cunha é membro, depois de ter-se desligado da Igreja Sara Nossa Terra). A Madureira é poderosa, envolve milhões de seguidores; a Sara é pequena.
PELO IMPEDIMENTO
À primeira vista, boa parte das lideranças evangélicas pentecostais coloca-se contra Dilma e a favor do impedimento da presidente. É o caso do pastor Osmar Silva Costa, presidente do Conselho de Pastores e da Convenção Geral das Igrejas Assembleias de Deus no Brasil. Para ele, se Dilma for condenada, deve “não só perder o mandato como também ir para atrás das grades, onde já está José Dirceu”.
“Para o CONIC, o deputado Eduardo Cunha “se baseou em argumentos frágeis”, ao abrir o pedido de impeachment. Para a instituição “o afastamento da presidente Dilma nos conduziria ao caos”
O pastor diz ter mandado e-mails aos ministros evangélicos pedindo orações. Mas que “autoridades que fazem um governo injusto, como foi provado pela operação Lava Jato, devem ser condenadas”, diz.
Silas Malafaia, da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, considerado por muitos analistas como “representante de um forte conservadorismo religioso e social”, comemorou o pedido do impeachment e fez duras críticas ao ex-presidente Lula, por seu apoio a Dilma.
PASTORA LUTERANA
Na linha dos que adotam uma posição pró-Dilma, a pastora da Igreja Evangélica da Confissão Luterana, ex-presidente do CONIC, Lusmarina Garcia, acredita que o impeachment “não tem bases legais”, e é uma “agressão à democracia”, pois o impedimento da presidente – “sem sustentação legal” – seria um golpe. Disse ser “natural” a Assembleia de Deus manifestar-se ao favor do processo, “já que Dilma contraria alguns interesses conservadores”.
A importante CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) não se manifestou sobre o impeachment pela opinião de seus bispos. Mas na quarta-feira, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz da CNBB, manifestou sua “apreensão diante do pedido de impeachment assinado pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha”.
Segundo o documento, o pedido de impeachment pode ser interpretado como “motivação de ordem estritamente embasada no exercício da política voltada aos interesses contrários ao bem comum”. Pede união nacional, “sem partidarismos”.
É BOM LEMBRAR
Para quem tem memória, ou quem quiser pesquisar o comportamento das igrejas em geral, e da bancada evangélica, em especial, verá que elas, desde o início do Governo do PT estiveram ao lado do poder. Com diversas manifestações de apoio a Lula e Dilma, no geral. Contra mesmo sempre ficaram na questão do aborto, com o que partilham da mesma opinião da Igreja Católica.
A bem da verdade, a Igreja Universal do Reino de Deus (Edir Macedo) mantém-se coerente: apoiou sempre os governos petistas e mantém representante da instituição no atual governo (ministro do Esporte).
