sábado, 11 abril, 2026
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Enfim, homenagem da UFPR a Feder, legenda da mídia paranaense

João Feder, Carlos Danilo Costa Côrtes, Hélio Puglielli, João De Deus Freitas Neto
João Feder, Carlos Danilo Costa Côrtes, Hélio Puglielli, João De Deus Freitas Neto

Os cursos de Comunicação Social da PUCPR (então, Universidade Católica do Paraná) e UFPR foram pioneiros no Estado.

O da Católica desbravou essa área do ensino, sendo a primeira instituição do Paraná a fornecer formação universitária, a partir dos anos 1960. Na época, era denominado, apenas, como  Curso de Jornalismo, sendo  depois ampliado para Comunicação Social.

Nos anos 1970, nasceu o Curso de Comunicação Social da UFPR, pelo trabalho de jornalistas profissionais  que tinham atuação consolidada em |Curitiba, como João Feder, Carlos Danilo Costa Côrtes (foi quem liderou o processo de reconhecimento do Curso pelo MEC e foi seu primeiro coordenador), Roberto Novaes, Airton Luiz Baptista, Apolo Taborda França, Constantino Comninos.

PUGLIELLI E ADALICE

Depois, ao grupo pioneiro foram sendo acrescentados – por concurso público – nomes que também  muito  marcariam gerações de futuros profissionais da comunicação social, como Hélio de Freitas Puglielli e Adalice Araujo, dentre outros.

Na terça-feira, 16, às 17h30min., na Rua Bom Jesus, 650,  o Curso de Comunicação Social da UFPR prestará uma justíssima homenagem  à memória do jornalista João Feder, dando-lhe o nome do auditório daquela unidade de ensino.

Feder foi um ser humano especial, invulgar: tinha o humor à flor da pele, nada passava sem suas observações críticas, ditas com sabor e humor só seus. Era e se comportava como jornalista, a quem nada escapava, e para quem  as reverências deveriam se limitar  a poucas pessoas e situações.

TUDO DE JORNAL

Feder era o professor de jornalismo  por excelência– lecionava Ética e Legislação de Imprensa. Ele  conhecia os meandros da mídia impressa, das oficinas à distribuição e circulação dos jornais. Conhecia todas as implicações e obrigações do jornalista no exercício de seu ofício com características especiais.

Seu universo preferido era a redação de |O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná, jornais dos quais foi uma espécie de “vice-rei”, posição por anos dividida  com outro jornalista-símbolo do Estado,  João DeDeus Freitas Neto, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas.

E os dois jornais em que Feder reinou eram, com o Diário do Paraná, as grandes referências no Paraná, num tempo em que a mídia que realmente importava (e com credibilidade, tal como ocorre hoje) era formada pelos matutinos e vesprtinos.

“ASPARGO”, O APELIDO

Freitas Neto e Feder eram amigos, apesar das  constantes  mútuas alfinetadas, nada que fugisse do “padrão” das redações de então.

O “turco” recebeu de Freitas Neto, por exemplo,  o apelido de “Aspargo”: ninguém poderia ser mais magro do que ele. Magro e elegante.  E esse magreza angulosa só acentuava seu perfil e  carisma quase ascéticos. Isso contribuía para reforçar sua  autoridade moral, especialmente quando apontava aquilo que era ético ou não na profissão. Esse era tema que dominava muito bem.

Feder soube fazer jornal com dignidade, superando limites impostos por tempos difíceis, como os da censura. Tinha ao seu lado outro “turco” de qualidade jornalística e moral exemplares, o Mussa José Assis.

NEGOCIADOR REFINADO

Feder era um negociador refinado, qualidade que garantiu aos leitores de seus jornais o acesso a informações que, nos tempos de chumbo, talvez jamais chegassem ao público.

Foi nomeado conselheiro do  Tribunal de Contas do Estado, mantendo e a “cátedra” em jornal e na UFPR, admirado e acatado por todas as gerações que com ele conviveram.

Era impossível ser mais ameno   – sendo franco, ao mesmo tempo – do que ele era. Posso opinar com segurança: Feder  foi um dos raros membros do TCE daqueles que dias que podem ficar como exemplários. Da mesma forma como foi exemplar  professor e jornalista profissional.

Era  jornalista que não se contentava em reportar e opinar  sobre fatos. Ia à raiz das notícias, procurando entender o ser humano, seu habitat, seu DNA, o entorno que o formou, por meio de uma leitura refinada e constante. Nisso era uma acadêmico sem ter se contaminado pelo hermetismo de meros  produtores   de “papers” universitários.

E o que mais esse cidadão, que nasceu e morreu classe média, sem ter perseguido  fortunas materiais, poderia ter ambicionado?

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