sábado, 13 junho, 2026
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“Brimos”: a forte presença libanesa na política brasileira

Livro faz profunda imersão no processo de enculturação dos áreas sírio-libaneses na vida do país

País muito privilegiado por imigrações, de que o Sul é o melhor exemplo, o Brasil tem sua história contemporânea a indicar a forte presença de europeus e orientais na composição de seu ethos a partir do século 19.

Essa identidade brasileira – liderada pela maciça prevalência de populações negras, esquecidas e subjugadas ao longo da história -, leva estudiosos como o jornalista Diogo Bercito ir a fundo na presença dos sírios-libaneses no Brasil. Ele dá  ênfase aos caminhos da política assumidos por muitos deles, gente como Michel Temer, Gilberto Kassab, Fernando Haddad, Paulo Maluf, Guilherme Boulos, Jandira Feghali – que estão próximos de nós, assim como Geraldo Alckmin. Não se pode esquecer José Richa e Beto Richa, além de Aníbal Khury, no mundo imediato do Paraná.

Não li ainda o livro “Brimos: Imigração Sírio-Libanesa no Brasil e seu caminho até a política”. Ele deverá mencionar, espero, a presença de Pedro Simon, filho de libaneses, que foi um fértil homem público, senador pelo RS.

Michel Temer, Gilberto Kassab, Paulo Maluf, Guilherme Boulos: todos “brimos”.

Espero que essa imersão do bom pesquisador Bercito faça uma retrospectiva, apontando, por exemplo, os Jafet nos governos Vargas, na área fazendária, dentre outros “brimos”, como José Maria Alckmin, que foi um dos condestáveis no governo JK.

TUDO BOA GENTE

O livro de Bercito me sugere outra rápida observação sobre quanto certos imigrantes se enculturaram rápido no Brasil. Caso, além  dos sírios-libaneses (de origem, cristã), dos filhos e descendentes de italianos que foram, desde a chegada maciça, a partir de 1865, impondo-se profissionalmente e na vida pública brasileira. É o caso do Espírito Santo, estado com o maior percentual populacional de “oriundi” em relação à população. O governador Casagrande é um exemplo. É apenas um exemplo de “ocupação” do mundo político por esses “oriundi”.

José Richa, Beto Richa, Aníbal Khury: origem árabe cristã

Os chamados italianos” estão  fortemente incrustrados na vida pública paranaense, como prefeitos cujos nomes identificam sua origem. Caso dos prefeitos de Cascavel, Leonaldo Paranhos, e o de Londrina,  Marcelo Belinati. E um sem número de outros prefeitos e vereadores do estado todo.

No Executivo e no legislativo paranaenses os “italianos”  se impuseram há anos: no governo do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior tem no nome e no sangue o DNA italiano, assim como o prefeito de Curiiba, Rafael Valdomiro Greca de Macedo. O vice-governador, Darci Piana, é um “italiano” vindo do RS para o Paraná via Oeste do estado. O ativíssimo Luiz Cláudio Romanelli, primeiro secretário da ALEP, é outro “oriundi” no comando do dia a dia da política paranaense,  assim com o presidente Ademar Traiano. Na vida religiosa, cito o arcebispo de Curitiba – Dom José Antonio Peruzzo – neto de italianos, e seus pais foram uns dos pioneiros de Cascavel. Na relação do mundo político com raízes familiares na Itália, há ainda Maria Aparecida Borghetti, ex-deputada federal e ex-governadora.

Álvaro e Osmar Dias, Dante Mendonça e Cristovão Tezza: “italianos”

Puxando à memória, localizo também  dois dos políticos mais atuantes do Paraná, Osmar Dias e Alvaro Dias, que têm também passaporte italiano: são netos de italianos pelo lado materno.

Nesse rol de italianos há que incluir Euclides Scalco (in memoriam), gaúcho que adotou o Paraná. E no próprio RS, anote-se a intensa ocupação de “italianos” do Governo do Estado, com governadores como Hildo Meneghetti e Nelson Marchezan.

O universo da “bella Itália” está presente também em instituições empresariais, como a Federação da Agricultura, comandada por Ágide Menegette há dezenas de anos. Da mesma forma a UFPR, nossa mais importante universidade, é  composta por uma quadro docente de “italianos”, como René Dotti, por exemplo e Edson Fachin (licenciado), só para citar o Direito.

No mundo do esporte, pelo menos três nomes italianos estão na história dos maiores times de futebol local: Giovani Gionédis, Renato Follador (in memoriam), Mário Celso Petraglia.

Cida Borghetti, Ratinho Junior, Ademar Traiano, Luiz Claudio Romanelli, Luiz Fernando Guerra: partes da Itália

A presença dos italianos e árabes(agora há que incluir os árabes não cristãos) merece um estudo etnográfico pela academia.

Por último, mas não menos importante, tenho de citar alguns nomes de sólida presença na vida cultural do Paraná nascidos e criados em berço italiano. É o caso, por exemplo, Cristovão Tezza,  Dante Mendonça,  Maí (“Regatiere)  Nascimento Mendonça, Nelson Padrella, Hélio Puglielli, nomes que não precisam de “penduricalhos” para se impor. Valem por si sós, não precisam de “chacrinhas” para produzir. Eles se impõem, como se impôs na vida paranaense da primeira metade do século 20 o maestro Bento Mossurunga, e, depois, historiadoras como Altiva Pilatti Balhana.

O que se espera é que academia, deixando de lado os conhecidos “papers”, produza um estudo abrangente sobre o processo de inserção na vida nacional desses filhos, netos e bisnetos de imigrantes que vieram “fazer a América no Brasil”. E acabaram conquistando-a, sem restrições.

EM TEMPO

O jornalista Walter Schmidt, que conhece bem o Paraná e sua gente, me manda esta observação sobre o texto dos “Brimos”:

Políticos paranaenses de origem italiana: Luciano Ducci, Valdir Rossoni, Enio Verri, Felipe Franchiscini, Hermes Parcianello e a Leandre dal Ponte – todos deputados federais. Um outro deputado federal, José Carlos Schiavinato, morreu de Covid-19 recentemente.

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