domingo, 14 junho, 2026
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Opinião de Valor: Pandemia: oportunidade para o mal

Cel. Audilene Rosa de Paula Dias Rocha

Por Cel. Audilene Rosa de Paula Dias Rocha

Atualmente, o mundo está envolto pela pandemia, com um número lamentável de óbitos, e deparamo-nos com decisões de alguns gestores que são inacreditáveis para a atual conjuntura.

Um período crucial para o Brasil, em que pessoas perderam seus empregos, passam fome, não conseguem arcar com aluguel, morrem pelo frio, sofrem com outras doenças (exames e cirurgias são postergados), suportam dores por falta de tratamento e medicação, engolem a angústia por não terem a quem recorrer, ainda, somos surpreendidos com leis que beneficiam indivíduos ou pequenos grupos. Infelizmente, não se observa o mesmo empenho para encontrar soluções viáveis para a população e para os que foram, demasiadamente, impactados pela pandemia.

Quando falamos dos impactos que assolam a comunidade não estamos nos limitando ao desemprego, referimo-nos, também, sequelas do COVID19, pessoas que precisam de tratamento especializado para recuperarem seus movimentos, sua saúde que foi atingida gravemente, retomar suas vidas. Mencionamos indivíduos que precisam de tratamento hiperbárico, fisioterapia, alimentação especial, que necessitam de cadeira de rodas e de banho, bem como, cuidado constante. Pessoas que não têm plano de saúde, sem veículo para transporte, sem emprego, que não dispõem de recursos financeiros e que rogam por atendimento.

Existem procedimentos terapêuticos que não podem esperar, com ou sem pandemia, porque a espera pode gerar danos irreversíveis, quiçá a morte. Sabemos que o poder público, seja União, Estado ou município, não dá conta de toda a demanda, mas o que se almeja é que seja utilizada a mesma desenvoltura que é empregada para elaborar leis, que beneficiam apenas alguns, para a resolução de problemas daqueles que, verdadeiramente, carecem da intervenção do poder público. Há o desejo que se edite leis que darão suporte aos habitantes em dificuldade, ainda que por tempo determinado.

A sensação é que o momento de crise é uma grande oportunidade para que os lobos em pele de cordeiro façam o mal, usem a legislação em prejuízo do povo e, claro, em seus próprios benefícios, tosquiam as ovelhas e tudo fica por isso mesmo. Pena que a adversidade não está sendo usada para que todos os gestores demonstrem a verdadeira finalidade dos cargos públicos, sejam ou não eletivos, servir. Servir, identificando o que a sociedade realmente necessita e priorizando respostas e recursos adequados ou, no mínimo, que minimizem as questões vivenciadas. A crise deveria ser a oportunidade de fazer o bem e não o mal. Lamentavelmente, nem todos estão aí para servir, mas muitos para se servirem e serem servidos.

Abraços a todos(as) e que Deus os(as) abençoe!

Coronel PM RR Audilene Rosa de Paula Dias Rocha

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