domingo, 14 junho, 2026
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Nicolélis deixa Duke University para se dedicar à ciência no Brasil

Miguel Nicolélis

Por Francisco José de Abreu Duarte, jornalista

O cientista brasileiro Miguel Nicolelis anunciou em recente podcast “Diário do Front” o seu desligamento da Duke University, onde permaneceu por 27 anos orientando teses de douturado, pós doutorado e alunos de gradução.

Sentiu que estava na hora de encerrar esse ciclo e fazer ciência em uma escala muito maior, podendo atingir a vida de muito mais pessoas com todas as formas de fazer ciência que aprendeu, inclusive com o recente trabalho no Brasil durante a pandemia.

Na mensagem, Nicolelis se emocionou e chegou a embargar a voz ao relatar que noite dessas, ao retornar para casa após visita a sua mãe, dona Giselda, trazendo um “presente gastronômico” dado por ela, se deparou com duas crianças pedintes à beira da calçada.

O cientista disse ter sido tocado pela cena e deu às meninas o alimento recebido da mãe (também em homenagem a ela). O choque provocado pela cena levou-o à conclusão de que estava na hora de sair pro mundo de novo e fazer ciência de uma outra maneira.

CAPÍTULO FECHADO

“Fechar esse capitulo da vida com grande felicidade por ter conseguido fazer até muito mais do que sonhava” – diz. A experiência que viveu trabalhando durante a pandemia no Brasil e o que viu à noite dirigindo pelas ruas de São Paulo, conforme Nicolelis, ainda lhe dão energia, aquele fogo interno para continuar fazedo ciência no mais alto nível possível, mas agora de uma outra maneira, de uma maneira em que mais do que duas crianças possam se beneficiar de um pequeno ato de solidariedade.

MUITA EMOÇÃO

Despedida emocionada, com a voz embargada. O criador do exoesqueleto, capaz de devolver os movimentos a pacientes tetraplégicos, dirigiu um agradecimento a todos os seus professores e alunos, colegas do mundo todo, por tudo o que pode aprender com eles.

O maior cientista brasileiro da atualidade parte agora para levar a ciência a um outro patamar. “Penso que é uma boa forma de terminar essa sinfonia que comecei há 40 anos” – diz. Ele explica a metáfora: em 1982, então aluno de Medicina na USP, encontrou o seu professor Cesar Timo-Iaria no meio de uma madrugada ouvindo uma ópera de Wagner ao tempo em que preparava a aula do dia seguinte.

“Quando abri aquela porta do anfiteatro de Microbiologia da USP nem imaginava que estava abrindo um futuro que jamais sonhara viver”. E, assim, ele agora abre outra porta que espera seja um futuro tão imprevisível e maravilhoso como foi aquele. Enfim, após 32 anos de exílio, diz ter descoberto que existem outras formas de fazer ciência e quer seguir esse caminho, permanecendo mais tempo no Brasil.

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