Antenor Demeterco Junior (*)

O Papa Francisco marcou um duplo tento com a aproximação Cuba-USA. Atendeu aos interesses de ambos os países, porém, a visita à ilha lhe trouxe situações constrangedoras.
Não há como esquecer os crimes da dupla ali governante. Fuzilaram a granel em La Cabanã e exportaram guerrilhas, como hoje exportam e exploram médicos para atendimento primário. Fidel e o mano constituem duas ruinas vivas da “Guerra Fria”, com visual decrepitude.
O decrépito mais velho sugeriu, durante a crise dos mísseis soviéticos (10/1962), que Khrushchev lançasse um ataque aéreo contra objetivos americanos ou invadisse os Estados Unidos: “ deveríamos atacar primeiro”. O líder bolchevista confessa a existência de tal proposta em suas memórias. O “barbudo” sentiu- se humilhado com a retirada dos mísseis do solo cubano, após o bloqueio determinado pelo Presidente Kennedy, o qual queria vê-lo morto.
Patrocinaria irresponsavelmente a 3ª Guerra Mundial e o desaparecimento da sua ilha se a sugestão tivesse sido acatada.
As suas frustradas guerrilhas na América Latina, expondo a tortura e morte de jovens desajustados que treinava e armava, semearam ou prolongaram ditaduras militares na região.
Em uma delas, na Bolívia, acabou se livrando de Guevara pelas mãos da CIA. A aventura militar intentada na África teria sido sustentada pelo tráfico de drogas, o que resultou no fuzilamento do general Arnaldo Ochoa e outros, em 13 de julho de 1989.
O envolvimento do regime com as drogas e traficantes merece esclarecimentos ainda pendentes.
Cuba sem a passada caridade soviética e a atual venezuelana, com o fornecimento de petróleo abaixo do preço de mercado, já teria falido de todo.
Continua exportando, como sempre, cidadãos fugitivos para Miami, que preferem se arriscar com os tubarões no Atlântico a ali viver.
O Papa com sua diplomacia coopta um rebanho adormecido que estava à margem da sua Igreja.
E os Estados Unidos saindo da crise, abordarão um mercado virgem paralisado há cinco décadas.
Lá tudo falta.
Sorrindo, o Papa lança suas críticas ao “statu quo” econômico social, sempre válidas, mas sem qualquer proposta concreta de solução para os problemas que afligem o mundo em geral, e sua América Latina em particular. E seu rebanho continua sofrendo erosão abaixo do Equador, escorregando para o Evangelismo.
As multidões que o recebem são fenomenais, pelo menos durante os dias das visitas.
ANTENOR DEMETERCO JR., desembargador aposentado do TJPR
