domingo, 14 junho, 2026
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Com trégua em ataques, Bolsonaro tenta reduzir resistência à aprovação de Mendonça no Senado

André Mendonça

(Da Folha de S.Paulo)

Pesquisas que apontaram o governo Jair Bolsonaro em seu pior momento e as dificuldades esperadas na tramitação do nome de André Mendonça no Senado fizeram o presidente recuar aos menos por ora das ameaças disparadas na semana passada e a adotar um figurino definido por ele de “Jairzinho paz e amor”.

De acordo com interlocutores, o tom mais moderado de Bolsonaro na segunda-feira (12), quando conversou longamente com jornalistas na saída do STF (Supremo Tribunal Federal), é consequência de dois fatores políticos recentes.

O primeiro é o aumento da pressão de aliados diante de pesquisas de opinião que colocam em dúvida as chances de vitória do mandatário em 2022. Em segundo, está a necessidade de melhorar o ambiente com o Senado, pelo menos durante a análise da indicação de Mendonça para o Supremo.

Nesta terça-feira (13), Bolsonaro oficializou a designação de Mendonça, hoje ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), como sucessor de Marco Aurélio Mello no STF. O ministro se aposentou na segunda.

Para ser confirmado no posto, Mendonça ainda precisa do aval do Senado. No entanto, ele enfrenta resistência entre congressistas, principalmente por seu histórico como ministro da Justiça.

À frente da pasta, Mendonça recorreu à LSN (Lei de Segurança Nacional) para investigar críticos do presidente.

Em conversas recentes, aliados avisaram Bolsonaro que a retórica explosiva da semana passada —com xingamentos a ministro do Supremo e ameaças contra o processo democrático brasileiro— ajudou a criar um cenário de ainda mais obstáculos para Mendonça.

De acordo com dois senadores governistas, o que deveria ser um processo sem sobressaltos no Congresso se converteu, no caso de Mendonça, em algo que deve demandar um concentrado esforço político.

Um auxiliar de Bolsonaro afirmou que a iniciativa de apelar por moderação do chefe foi conjunta porque a postura estava aumentando as dificuldades do governo em várias frentes.Nesse sentido, Bolsonaro foi aconselhado a tentar baixar o tom com o Legislativo e o Judiciário.

A escalada das tensões, disseram aliados, pode criar um ambiente no Senado em que a rejeição a Mendonça seja vista por congressistas como o sinal político necessário para barrar as manifestações autoritárias de Bolsonaro.

Mendonça tem intensificado as reuniões com senadores para tentar vencer as objeções que enfrenta. Nesta terça, fez nova rodada de encontros.

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