
Foi sepultado na segunda-feira, Finados, o ex-deputado e radialista Ervin Bonkoski, 79 anos, que até recentemente manteve a Rádio Colombo do Paraná, tendo sido fundador também de outras.
Ele morreu no domingo, em Curitiba, tendo sido velado na Assembléia Legislativa do Paraná, casa em que cumpriu 2 mandatos legislativos. Teve também um mandato de deputado federal. A morte de Ervin não pode ficar no mero registro. Ele foi ator importantíssimo em momentos das histórias política e da radiodifusão no Estado, particularmente nos anos 1960 a 1980, quando suas emissoras tiveram grande audiência. Dominavam nas camadas mais populares, em Curitiba e em União da Vitória e Campo Mourão. Elas eram “boas de IBOPE”, como então os analistas se referiam aos veículos de comunicação de grande audiência.
Ervin foi fortemente ligado aos governos Parigot, Canet, Emílio Gomes e Ney Braga, aos quais apoiou incondicionalmente em seus programas, na maioria de cunho católico e também de músicas caipiras e transmissões esportivas. No esporte teve nomes notáveis, como Airton Cordeiro, Fuad Calil,Wille Gonzer (hoje em Belo Horizonte). O ponto alto do prestígio de Ervin, e que resultava em expressivas votações nas urnas, deu-se com as novenas e a Romaria Anual de Nossa Senhora de \Guadalupe.
“Ervin simplesmente fazia o que melhor sabia fazer: atraia multidões, dezenas de milhares de pessoas que passavam um dia inteiro em filas pelas ruas Riachuelo e XV de Novembro, levando presentes e flores para a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe…”
O radialista nunca pretendeu ser um capítulo da Antropologia da Religião, matéria acadêmica que hoje expõe, no país, um grande número de teses e especialmente em livros. Ervin simplesmente fazia o que melhor sabia fazer: atraia multidões, dezenas de milhares de pessoas que passavam um dia inteiro em filas pelas ruas Riachuelo e XV de Novembro, levando presentes e flores para a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, que tinha capela dominando o espaço físico da Rádio, na Galeria Andrade (Riachuelo e Presidente Faria).
Os presentes incluíam desde dinheiro a cestas básicas. Com o passar dos anos, já em meados dos 1980, com novas visões religiosas disputando o espaço do sagrado em Curitiba, Ervin foi desativando a Festa de Guadalupe, a chamada Padroeira das Américas, uma devoção que inspirara Ervin a partir do final dos 1950, quando foi erguida a Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, nas cercania da Rodoviária Velha. Quem se habilita a um estudo acadêmico sobre Ervin e suas mensagens, incluindo – é claro – exame da mudanças do espaço do sagrado em Curitiba?
