sábado, 11 abril, 2026
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Visões do outro mundo

(espaço de Antonio Carlos da Costa Coelho)

Comidas exóticas em Curitiba, nos anos 60 era no Bar Cinelândia, de propriedade do Ligeirinho e do Vitor. O bar ficava na Rua Ermelino de Leão, na frente do Hotel Del Rey.

Lá tinha casquinha de siri, tatu, lagarto, jacaré, tartaruga e outras iguarias dignas de um banquete promovido por Steven Spielberg em Indiana Jones.

Bar bem freqüentado. Nos finais de semana apareciam Zé Trindade, Ozires de Brito, Renato Ribas, Maurício Fruet, Nereu Teixeira e outros ilustres.

Também tinha uma vasta lista de frequentadores diários. Um deles era o Fernandinho Arapa, também conhecido – in off – por  Fernadinho Corcundo. Este não largava do copo. Abria e fechava o bar. Cobra de museu, vivia mergulhado no álcool.

Dizem alguns que, de tanto whisky, já estava confundindo a realidade com coisas do outro mundo. Para atender a vasta clientela de acepipes exóticos, Ligeirinho mantinha algumas espécies da fauna brasileira numa jaula improvisada entre o banheiro e a cozinha do bar. Naqueles dias não havia essas coisa de Ibama, meio-ambiente, ecologia, Green Peace. Era mais fácil.

No cercadinho tinha um jacaré, alguns lagartos e tartarugas. E, num pequeno tanque, o Ligeirinho reservava algumas dúzias de siris para atender a demanda da semana. Numa manhã de sábado, lá pelas onze, Fernadinho Corcundo, foi ao banheiro.  Já tinha tomado algumas doses.

Depois de se aliviar, saiu do banheiro, passou pela bicharada no cercadinho – era o cardápio vivo – e, alucinado saiu gritando: — tem um jacaré, um jacaré… ele quer me pegar e o lagarto está ajudando ele…o jacaré…socorro, socorro! Depois daquele sábado, Fernadinho Corcundo nunca mais bebeu. — Bem, pelo menos, no Cinelândia não foi mais visto.

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